O VERDADEIRO AMOR

Quando criança me surpreendia com as brigas dos meus pais que chegaram a ter onze filhos. Aliás, se digladiaram até a morte de um deles, entretanto, não posso de maneira alguma considerar que fui uma criança infeliz. Ou que não queira relembrar aqueles tempos. Inclusive de vez enquanto sou vencido pelo desejo de rever aquelas coxilhas verdejantes, árvores e riachos próprios do lugar. Outra emoção, era a visão da estrada poeirenta pela qual meu herói haveria de retornar com o seu caminhão nas curtas viagens que ele fazia a Porto Alegre e quando de longe o avistava, acredite, era uma festa para o meu coração! Compreendo que aquela alegria infantil não encontro mais em nenhum outro lugar. Ainda assim gosto de ir lá com a esperança de encontrar um ou outro conhecido que cada vez fica mais difícil. Mas, como disse um cômico: cada um com o seu cada qual e eu devo ter dado muito trabalho a meus pais, a desobediência permanente tirava eles do sério, principalmente meu pai que tendo menos paciência que minha mãe, fazia com que acabasse sempre sobrando para mim. Dela não lembro de ter sofrido um único tapa. Do meu pai já não posso dizer o mesmo. Entretanto o que se parece estranho é que justamente este meu "agressor" era também o meu único herói. Tinha consciência que toda a sua vida e a sua luta era em proveito do nosso bem, meu e dos meus irmãos. Hoje, beirando os "meia três", fico a imaginar na sorte que eu tive por eles ter agüentado a barra até o fim. O que seria de mim na condição de enteado, veria eu, noutro homem a mesma qualidade e heroísmo que eu via no meu pai? Não posso entender como isto seria possível! A não ser depois de endurecer o pequeno coração com tantas tristezas e desilusões, no entanto isso já não é mais ser uma criança, mas um velho como eu. E com certeza não estaria eu aqui a escrever sobre o verdadeiro amor. É que isso vem de Deus, que faz com que as criaturinhas indefesas de qualquer espécie animal se apeguem a sua genitora desde o cordão umbilical? E isto é obra do Pai todo poderoso. Por isso que por causa do pecado quando casais se separam acabam de certa maneira matando suas crianças e isto é um crime, para o qual me considero incompetente de classificar o seu alto grau de perversidade. Jamais poderá o homem, miserável pecador, alterar a estrutura familiar daquele que tem o verdadeiro amor e o conhecimento. Os meus pais, apesar da sua humilde condição como de tantos outros casais que conheço não quiseram tentar! Eles nos ensinam que deviam olhar não um para o outro, mas os dois numa mesma direção: os filhos que Deus lhes deu! Entretanto o nosso mundo louco e vendido ao diabo não consegue enxergar este amor do qual O Pai Celestial, tudo faz para nos mostrar na divina obra de Jesus Cristo, seu amado Filho e Senhor Nosso! Aí se vê um Pai que se aborrece com a perdição de suas criaturas e por causa da desobediência e maldade delas, resolve movido pelo seu grande e verdadeiro amor, não sacrificar a todos como mereceríamos, mas, tão somente seu único Filho, e deste modo fazer sua justiça, como já disse em nosso proveito. Por isso Jesus, como foi revelado aos cristãos, é Deus nascido de uma virgem por obra do Espírito Santo sofreu a humilhação de se fazer homem para fazer a vontade do Pai, isto é, cumprir a sua Santa Lei assim como continua exigindo que cada um de nós a cumpra. Mas a perfeição que nos é exigida só se encontra em Deus e então como o Filho também é Deus, torna isto possível. Mas não é tudo, também foi crucificado pelos nossos pecados. Como apontou João Batista: Ali está o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo!
Mas, tristemente, ao invés disso, não falta um louco varrido a justificar o ato pecaminoso e egoísta de um homem que abandona mulher e filhos tudo por conta do “amor”. Maria Madalena; as irmãs Marta e Maria também poderiam ter sido mulheres atraentes, e Jesus que também foi homem bem que poderia ter se decidido por uma delas. Mas buscou a vontade de Deus para nos mostrar qual é O VERDADEIRO AMOR!



Ildo B Fernandes

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Predestinação

Considerações Sabatistas

Qual é a verdade?