O DESESPERO
O DESESPERO
1 Timóteo 4.9,10
“Esta é uma afirmação fiel e digna de plena aceitação. Se trabalhamos e lutamos é porque temos
colocado a nossa esperança no Deus vivo, o Salvador de todos os homens,
especialmente dos que crêem.”
O Cristão Luta com Esperança
1. No Deus vivo
2. No Salvador de todos os homens.
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Na carta aos Efésios (6:10-20), o
apóstolo nos avisa a vestir toda a armadura de Deus: o capacete de salvação, o
escudo da fé, a espada que é a Palavra, etc.
Tudo isso, para ficar firmes contra “as ciladas do Diabo”. Pois nosso inimigo é esperto e utiliza um
grande número de “setas inflamadas” para afastar um cristão de seu Deus.
Há uma lenda que diz que um dia
Satanás resolveu colocar à venda todas as suas ferramentas. La estava a Avareza, a Cobiça, a Inveja e
outros – todas por um alto valor. Mas no
fim da mesa estava mais uma ferramenta com uma etiqueta dizendo: “Este item não
está à venda”. Curiosos, perguntaram os
compradores ao Diabo seu significado, e este respondeu: “Ah! Vocês podem até
levar todas as outras, mas eu fico com esta.
Ela é a ferramenta mais útil que possuo.
Se chama Desespero, e com ela eu consigo entrar até em corações que
normalmente ficariam fechados para mim.
E uma vez dentro, eu posso semear o que eu desejar.” É claro que é apenas uma lenda, mas dá para
sentir que ela representa a verdade. O
desespero, a falta de esperança, é uma ferramenta letal nas mãos do diabo. Pois quando a pessoa perde a esperança, perde
também o desejo de continuar lutando contra mais ataques infernais. Perde a força para continuar trabalhando e
servindo a Deus e seu próximo.
E ninguém fica imune a esta
cilada do Diabo. Qualquer um de nós –
grande ou pequeno – pode cair na depressão que surge do desespero. Considere, por exemplo, o grande homem de fé,
Elias. Este famoso profeta do Antigo
Testamento chegou a subir ao céu numa carruagem de fogo em vez de morrer. E, séculos depois, apareceu junto com o
grande Moisés no monte da Transfiguração de Jesus, conversando com o Salvador
como velhos amigos. Mas alguns anos
antes de subir ao céu, Elias já estava pronto a morrer. Se jogou no chão, exausto, no meio do deserto,
e pediu para Deus tirar a sua vida. “Já
tive o bastante, Senhor. Tira a minha vida; não sou melhor que os meus
antepassados” (1 Reis 19.4).
O que levou um grande homem de
Deus a cair no desespero? É que viveu
numa época de apostasia geral – a grande maioria do povo de Israel, o escolhido
povo do Senhor, virou as costas para Deus e foi atrás de ídolos e deuses
falsos. Especialmente o deus Baal, cuja
adoração incluía atos de imoralidade e de sacrifícios de crianças. A própria rainha, a malvada Jezebel, apoiava
esta religião pagã e até mandou matar todos os profetas do Senhor em Israel. Sobrou um só – o coitado do
Elias. E agora Jezebel estava atrás
dele, também.
Num sentido, você e eu podemos
entender bem por que Elias caiu no desespero e não conseguiu lutar mais. Pode ser que nunca fomos ameaçados de morte,
como Elias, mas já tivemos em situações péssimas onde não havia saída
visível. Nestes momentos, a vida perde o
gosto, o sol escurece, e não encontramos alegria em mais nada. O serviço se torna vazio, e não temos mais
força para continuar seguindo a Deus.
Com Elias, dizemos: “Já tive o bastante, Senhor”.
Mas num outro sentido, não dá
para entender por que o profeta podia ter esquecido tão rápido do motivo de
alegria e esperança. Sabe o motivo pelo
qual a rainha procurava matar Elias?
Leia 1 Reis 18:16-40, o capítulo anterior ao que descreve o desespero do
profeta. Encontramos ali um relato do
poder do Senhor que deixou nitidamente claro que somente Ele é o Deus
verdadeiro, o Deus todo-poderoso. Num
desafio, os 400 profetas de Baal não conseguiram “acordar” seu deus para
aceitar o sacrifício oferecido, nem mesmo quando gritaram e se cortaram com
facas para chamar a sua atenção. No
entanto, Elias fez uma simples súplica ao Senhor, e Ele mandou fogo do céu para
consumir não somente o boi e a lenha, mas tudo ao seu redor, também. O povo de Israel viu e, prostrados, gritaram:
“O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!”
Ajudaram, então, prender os profetas pagãos que foram executados por
Elias, segundo a lei de Moisés.
O apóstolo Paulo diz ao jovem
pastor Timóteo: “Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa
esperança no Deus vivo”. Nossa esperança
não está em um deus falso e morto que não possa fazer nada, mas naquele que
manda fogo do céu, que separa as águas do grande Mar, que criou o vasto
universo e que cuida até dos passarinhos.
O Deus vivo é nosso Deus, e a nossa esperança. Promete estar com seus filhos, nos
abençoando, protegendo, e guiando pela vida.
Por isso, temos o que precisamos para continuar trabalhando e lutando
neste mundo de trevas. Ninguém disse que
a vida estaria livre de problemas e desafios – e até de momentos tristes e de
perda. Mas “tudo posso naquele que me
fortalece” (Filipenses 4.13), sabendo que meu fortalecedor é o próprio Deus
vivo.
Ao mesmo tempo, às vezes fica
difícil continuar trabalhando com esperança quando lembramos do aviso forte na
carta aos Hebreus: “Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo!” (10.31). Pois é Ele que declara: “A mim pertence a
vingança; eu retribuirei” e outra vez: “O Senhor julgará o seu povo”. O autor desta carta aos Hebreus nos lembra de
como Deus castigava quem rejeitava a Lei de Moisés no Antigo Testamento. “Quão mais severo castigo”, ele continua,
“merece aquele que pisou aos pés o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança
pelo qual ele foi santificado, e insultou o Espírito da graça?” Ai de nós, pois temos feito exatamente isso,
desprezando a pregação da Palavra e os ministros que a proclamam! Temos deixado de colocar o Senhor como a
prioridade mais alta em nossas vidas, procurando, em vez disso, o nosso próprio
bem-estar e conforto. O que será de nós,
agora que temos quebrado a Santa Lei e as suas exigências? O que adianta orar, eu penso, se eu sei que não
mereço ser ouvido? Por que continuar me
esforçando para praticar a caridade, se não consigo aquela perfeição que o
Santo Deus exige e se já estou destinado para o castigo eterno?
Daí é importante voltar às
palavras de Paulo em 1 Timóteo 4.10: “Se trabalhamos e lutamos é porque temos
colocado a nossa esperança no Deus vivo, o Salvador de todos os homens,
especialmente dos que crêem”. Ah, quão
doce é o evangelho, que chama Deus de “Salvador de todos os homens”. Ele é todo-poderoso, mas usa seu poder para
realizar nossa salvação. Pense nos
milagres na vida de Jesus Cristo, seu Filho, nosso Salvador: a própria Encarnação, Deus feito homem,
supera nossa compreensão; as curas e sinais milagrosos, testemunhando a
presença divina entre os seres humanos; a morte de Jesus é um milagre, também, pois
foi sangue divino derramado naquele dia, pagando uma vez por todas pela culpa
da raça humana; e a ressurreição de Cristo carimbou o ato de redenção,
proclamando a vitória de Jesus sobre o pecado, a morte e o Diabo. Sim, na cruz, nosso Salvador morreu por nós
pecadores. Mas não deixa de ser o Deus
vivo, que é, que era, e que há de ser. Cristo
intercede por nós diante do trono do Pai, diariamente, junto com o Espírito
Santo que foi nos dado como selo de nosso galardão eterno. A fé que recebemos nos reanima e renova as
forças para continuarmos trabalhando e lutando para a glória de Deus.
Depois de ser encorajado pela
Palavra de Deus, o profeta Elias, cheio de esperança renovada, voltou a
trabalhar. Instruiu o seu substituto,
Eliseu, e estabeleceu várias escolas para treinar outros profetas. Aos poucos a Palavra foi se espalhando de
novo pela terra de Israel, e o povo ouviu da graça do Senhor. E no fim, a carruagem de fogo chegou para
levar Elias para seu descanso eterno no céu.
O trabalho do reino de Deus já passou para outros.
Um dia também chegará o nosso dia
de descanso, e deitaremos nos braços daquele que tanto nos ama. Por enquanto, este Deus vivo e Salvador de
todos os homens nos dará a esperança que precisamos urgentemente para continuar
trabalhando em seu nome. Que Ele nos guarde
pelo seu poder. Amém.
Pastor Guy Marquardt
(gmarquardt@gmail.com)
Comunidade Luterana Jesus Salvador - Gravataí, RS
17/09/2006
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