A Sorte dos Escolhidos!

 

              Salvação Eterna

1. O fato. -Até os gentios percebem a imortalidade da alma e falam de uma vida melhor no além (os Campos Elíseos, o Nirvana, o Valala, os Felizes Campos de Caça, etc.), mas ainda assim não têm esperança (Efésios 2.12), porque aquilo que esperam jamais se realizará. Como é possível que o homem pecador, embora merecedor da morte, tenha "'viva esperança" de salvação eterna, é coisa que aprendemos apenas na palavra de Deus, que nos diz: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3.16). Esse texto não ensina apenas o fato de uma vida eterna, mas também a maneira em que podemos alcançá-la. Essa vida eterna é dom de Deus (Romanos 6.23), que Cristo dá a suas ovelhas (João 10.28). A esses dirá, por isso, no dia do juízo  ”Vinde benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mateus 25.34). E esses irão para a vida eterna (Mateus 25.46).

2. O estado da bem-aventurança. - Quando seguem sua própria fantasia, é provável que os homens imaginem as coisas mais curiosas a respeito das condições da vida futura. Também aqui devemos restringir-nos ao que dizem as Escrituras. .

Para dar-nos uma pálida idéia do imenso esplendor glória e alegria do céu, a Bíblia de fato emprega termos e  ilustrações tomados da vida terrena. Fala em bodas (Mateus 25. 10; Apocalipse 19.9), em banquete, em assentar-se em tronos (Lucas 22.30), em casa de muitos lugares (João 14.2). Dá uma descrição pormenorizada da Jerusalém celeste a cidade linda e alta (Apocalipse 21.10-27). Tudo isso não deve ser entendido literalmente, mas de maneira figurada, e se destina. a pintar a beleza do lugar celeste.

 Condições externas. - As condições do mundo vindouro serão muito diferentes das condições atuais. Certas instituições, essenciais e fundamentais para a presente vida na terra, não existirão no céu. Não haverá matrimônio (Mateus 22.30, famílias separadas, nacionalidades, raças. Não haverá governo civil para punir os que praticam o mal, nenhuma profissão terrena para aliviar sofrimentos e prover as necessidades da vida (Apocalipse 7.14-17). Não haverá ofício das chaves, nem obra missionária. Os ímpios não viverão entre os santos para irritar e molestá-los, pois o joio será separado do trigo (Mateus 13.30); (Apocalipse 22.15). Viveremos em companhia de justos aperfeiçoados).

Um corpo transformado. - Seremos as mesmas pessoas que somos agora, mas seremos transformados (1Coríntios 15.52). Teremos corpos espirituais, não sujeitos às mesmas necessidades e leis que agora nos governam. Teremos corpos incorruptíveis, livres de todos os traços e conseqüências do pecado. Teremos corpos vigorosos, livres de todas as fragilidades, fraquezas, defeitos e deformidades. Teremos corpos imortais, que jamais haverão de morrer. Teremos corpos gloriosos, revestidos de beleza, perfeição, honra e glória. Deus transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória"  (Filipenses 3.21); (1 Coríntios 15. 42-44; Mateus 13.43; Romanos 8.18}.

 Uma alma purificada. - Quanto à alma, a imagem de Deus será integralmente restaurada.  Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é" (1 João 3.2); (Salmo 17.15). Visto que a imagem de Deus consiste em bem-aventurado conhecimento de Deus e em justiça e verdadeira santidade, conheceremos então como também somos conhecidos, conheceremos inteiramente a Deus, sua vontade, seus caminhos. Entenderemos o que agora ainda nos é obscuro. Serão integralmente respondidas todas as nossas perguntas, tanto com respeito a certos mistérios de doutrina, como a respeito de acontecimentos em nossa vida pessoal (1Coríntios 13.9-12). Não haverá velho homem, nenhuma tentação com que lutar, nenhum pecado, pesar, aflição (Apocalipse 21.4). Haverá perfeita justiça e santidade. Não haverá dissonantes divergências e diferenças entre os santos, senão que os pensamentos, os desejos e as ações de todos estarão em completa harmonia com a vontade de Deus. Haverá plena satisfação, perfeito contentamento (Salmo 17. 15), absoluta segurança. Disse Jesus, com respeito aos santos: "Ninguém as (as ovelhas) arrebatará da minha mão" (João 10.28).Haverá indizível alegria e prazer, que ninguém nos tirará (João 16.22; 1 Pedro 1.8). A causa e fonte de toda essa bem-aventurança é Deus, em cuja presença viveremos (Salmo 16.11), e a quem veremos como ele é (João 3.2).

         
             Graus de glória. -As alegrias e prazeres do céu são tão grandes, que é impossível descrevê-los adequadamente em linguagem humana (2 Coríntios 12.2-4), e se não fôssemos transformados, nem mesmo no céu poderíamos alcançá-los. No céu todos os santos gozam perfeita bem-aventurança, mas haverá graus de glória. Assim como há graus de punição para os perdidos no inferno, e graus e graduação entre os anjos bons no céu, da mesma forma haverá graus de glória para os santos no céu. Glória maior é dada como recompensa não de mérito, mas de graça, àqueles que em sua vida terrena mostraram sua fé em consagrado serviço ao Senhor (Lucas 19.12-19; Daniel 12.3), em muitas boas obras praticadas a serviço do próximo (2 Coríntios 9.6; Gálatas .8,9), e em sofrimentos suportados por amor ao Senhor (Mateus 5.11,12).
 
3 .Onde fica o céu? - O lugar do novo céu e da nova terra não pode ser fixado e determinado (Cf. capítulo LIV, O Fim do Mundo, 4). Podemos dizer que o céu está em todo lugar onde Deus se nos revela em sua descoberta glória, e onde o vemos face a face. O presente universo será destruído pelo fogo, e esperamos novo céu e nova terra (2 Pedro 3.13). Não precisamos ocupar-nos em saber onde será isso. Tratemos antes de esforçar-nos para que também nós possamos entrar no repouso que resta para o povo de Deus (Hebreus 4.9,10). Cristo nos diz, falando do lugar preparado para nós: "E vós sabeis o caminho" (João 14.4).

4. O caminho. -"Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho? Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14.5,6). Cristo é o caminho para o céu. Apenas aqueles, e todos aqueles que com ele se apegam em verdadeira fé até ao fim serão salvos (João 3.16; Mateus 24.13). Pela fé em Cristo somos mesmo agora filhos de Deus (Gálatas 3.26), e, por isso, também herdeiros de vida e glória eterna (Romanos 8.17,18). Pois o fim da nossa fé é a salvação da alma (1 Pedro 1.9). Fé no Redentor é o único caminho - e o caminho seguro - que conduz ao céu. "Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Apocalipse 2.10). Paulo guardou a fé, e por isso esteve certo da coroa da justiça (2 Timóteo 4.7,8).
Também a lei aponta o caminho para o céu. "Faze isto, e viverás" (Lucas 10.28). Essa promessa de vida é absolutamente verdadeira. Não ajuda a ninguém, porque nenhum homem é capaz de cumprir a condição: "Faze isto."Quem procura salvação sob a lei, ver-se-á amaldiçoado, porque não perseverou em todas as coisas exigidas pela lei  (Gálatas 3.10).
   5. A finalidade dessa doutrina. - A doutrina da salvação eterna diz respeito ao futuro, mas tem significado importante e prático para a vida presente.

 (a) Visto que somente pela fé em Cristo os homens podem alcançar essa gloriosa herança,devemarrepender-se de seus pecados e crer em Cristo para a salvação de suas almas. "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo" (Atos 16.31); (João 3.16). Nós, os que cremos, devemos cuidar no sentido de permanecermos na fé até o fim. "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos" (2 Coríntios 13.5). "Aquele, porém" que perseverar até ao fim, esse será salvo" (Mateus 24.13).

(b) Nós cristãos ainda estamos no mundo, mas não devemos ser do mundo (João 17.14-16). Por isso devemos evitar o mundanismo. Não devemos conformar-nos com as idéias e os caminhos do mundo, mas devemos transformar-nos pela renovação da mente, para que experimentemos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12.2). Não devemos pôr nosso afeto nas coisas desse mundo, mas buscar as coisas lá do alto (Colossenses 3.2), porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura (Hebreus 13.14). A pátria de que somos cidadãos está no céu, de onde esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Filipenses 3.20,21).

(c) A esperança do céu deve incitar cada cristão a maiores esforços na santificação da vida(2 Pedro 3.13,14). E como Cristo prometeu graciosamente que recompensaria nosso trabalho, devemos ajuntar para nós tesouros no céu (Mateus 6.20), e ser zelosos de boas obras (Tito 2.11-14). Devemos estar particularmente interessados e constantemente ativos em levar Cristo às nações pela difusão de seu evangelho entre os filhos perdidos dos homens, conforme o Senhor nos ordenou (Marcos 16.15). Não seremos capazes de ganhar todos os homens (Mateus 24.14); levemos-lhes, não obstante, o convite do Senhor (Lucas 14.15-24). Alguns virão e serão salvos.
(d) É verdade que seremos odiados por todos os homens por causa de Cristo (Mateus 10.22). Mas que importa isso? Somos o povo de Deus, e devemos proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pedro 2.9). Devemos regozijar-nos mesmo quando os homens rejeitam nosso testemunho e nos perseguem, pois grande é o nosso galardão no céu (Mateus 5.11,12). Pouco importa o que nos possa suceder em nossa vida pessoal e seja qual for o peso da cruz que carregamos, jamais devemos perder a coragem, pois "bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam" (Tiago 1.12), e "através de muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus" (Atos 14.22).

(e) A obra daqueles que trabalham na palavra e na doutrina não é sempre devidamente apreciada nesta vida, nem mesmo por todos os que são beneficiados por essa obra. Mas, olhando para frente, ficamos encorajados, porque estamos colhendo fruto para a vida eterna (João 4.36), e as Escrituras dizem: "Os que a muitos conduzirem à justiça (resplandecerão), como as estrelas sempre e eternamente" (Daniel 12.3).

(f) A expectativa da salvação eterna nos enche o coração de coragem e alegria e de sustentadora esperança na vida e na morte. Nossa esperança em Cristo não se limita apenas a esta vida (1Coríntios 15.19), mas, como Paulo, dirigimos o olhar para o dia em que o Juiz nos dará a coroa da justiça (2 Timóteo 4.8), e em que a morte será tragada pela vitória (1Coríntios 15.54-57)

.Destarte a presente vida é vivida à luz da vida por vir, e isso dá sentido e direção à nossa peregrinação terrena.


 

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