Cristianismo Sem Cruz
Cristianismo Sem Cruz!
Se existe, quero me candidatar! Entretanto, por que se
preocupar com isto? Afinal, quase todo mundo já é cristão? Não é mesmo?
Só depois de Jesus ter subido ao céu, e mais precisamente,
na Antioquia, é que os cristãos receberam este nome, ou apelido, pela primeira
vez! E lá se vai quase dois mil anos! Um bocado de tempo, não é verdade? Para
nós, sim. Não para Deus! Este é atemporal; imutável; incompreensível! É
de se arrepiar saber que o Criador veio a este mundo, assim como celebramos no
Natal, e na pessoa de Jesus Cristo comunicou-se com a sua principal criatura, -
o homem, conforme lemos na escritura e, no início deste sagrado livro também lemos
triste episódio do qual resultou no fim de um mundo até então perfeito e o
advento do pecado, algo incompatível com Deus, o problema e a herança maldita
que carregamos, responsável por tudo que existe de ruim, pior ainda, nesta
condição haveremos de conhecer coisas muitíssimo piores: O inferno! Não queira
blefar brincando com a verdade! A eternidade sem Deus é dano irreparável, que
seguro algum irá reparar! É fácil concluir que este papo não agrada e fugir
dele seria a melhor coisa a se fazer!
Entretanto, conforme o livro santo é justamente para este
fim que Ele veio ao mundo: Salvar, livrar-nos da condenação eterna! Aliás, aqui
entraremos num divisor de águas, - o evangelho! A obra estranha e ansiosamente
aguardada e profetizada pelos santos profetas, Isaías, Jeremias e outros - a
justiça que Ele haveria de realizar! A justiça de Deus, que é o evangelho, a
nossa única tábua de salvação! Tal palavra, que em grego significa "
Boas Novas", aponta para Jesus como fez João Batista ao indicar: “Ali está
o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”, tais palavras não soaram
estranhas aos judeus, que já estavam familiarizado com a prática de imolar tal
animal nos seus cultos onde lhes era prometido o perdão, e isto servia como
ensino do que Deus faria no futuro. Donde se pode afirmar: A justiça de Deus é
que conta, não a nossa justiça própria ou as nossas "boas obras".
Convém lembrar, a cultura na qual fomos criados: praticar a caridade para se
ganhar o céu! É um erro doutrinário, que a grosso modo, foi o motivo da Reforma
no Século XVI. Contudo, a doutrina da meritocracia persiste nos dias de hoje,
uma vez que se encaixa melhor ao nosso modo de entender, então, fazendo boas
ações Deus haverá de nos aceitar! Só que este ensino não vem de Deus, mas do
inimigo, o diabo. “A salvação não vem do resultado dos vossos próprios
esforços, é de graça, para que ninguém se glorie!” Efésios 2,9. Além disso,
acabamos por tirar a importância da obra de Cristo, seria o mesmo que afirmar
que a sua obra não é suficiente. Se quisermos ser salvos, então, teremos que
fazer mais isto e mais aquilo! O que nos afunda ainda mais no pecado! Quem
seguiu este caminho jamais encontrou consolo, paz ou salvação! Pois, como
poderá estar certo se fez o suficiente?! Olhe que aqui não basta se chegar aos
99%. Deus que é perfeito, nos cobrará a perfeição, e esta nunca a teremos! Por
isso, jamais seremos suficientemente gratos a Jesus Cristo que com sua vida
cumpriu a Santa Lei em meu e em teu lugar e ainda mais, sacrificou a sua
própria vida pelos nossos pecados! Só por este motivo é que podemos transbordar
de alegria e jamais reclamar de Deus! Não merecemos, mas por crer nesta obra,
ou no seu santo sacrifício, podemos fazer parte do aprisco divino, ou povo
bem-aventurado!
Porém, conforme Mateus 10:38, “quem não toma a sua cruz, e
não segue após mim, não é digno de mim.” Logo, não existe cristianismo
sem cruz! O cristão sofre o preconceito, a indiferença das pessoas que preferem
não se envolver. Jesus pregou às pessoas que encontrava em seu caminho e mandou
que fizéssemos o mesmo! Ele, o cristão, sabe do estrago e da conseqüência que causa
o pecado, sabe também o que ele custou ao Senhor Jesus! A cruz também
pesa quando tiver que oferecer a outra face àquele que o agrediu, isto é, não
se vingar! Como aceitar o ensino de que amar é sofrer, agüentar a mão!
Confiando naquele que nos prometeu ajuda, não permitindo que venhamos sucumbir!
Se não temos problemas como tiveram os primeiros cristãos, ainda assim, o diabo
nos arranja muitas outras cruzes. Aí está, o que a mídia, vergonhosamente,
chama de “novos comportamentos” que a simples lembrança nos dá nojo! Como
conviver sabendo de pecados grosseiros de pessoas próximas a nós? Tem mais! E,
a pregação da palavra? Quem quer ouvir? Outro dia houve um grande alarde quando
a mídia anunciou a reaproximação do papa com o primás da igreja ortodoxa russa
separados desde 1054! Mas ninguém se preocupou em falar dos motivos: - A
doutrina! Ou, por que existe tantas igrejas? A resposta é a mesma. – Por esta
razão, pergunto. Quem se preocupa com a orientação de 1 Pedro 3:15? "De
modo que estejam preparados para dar explicação da esperança que há em
vós" Por tudo isso como fica a máxima ordem de Jesus: "Ide e pregai o
evangelho"? Eis alguns dos problemas de um seguidor de Cristo e a mais
pesada das cruzes!
Ildo
Borges Fernandes
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