1 – O CONHECIMENTO DE DEUS
                   Existe um Deus
          Deus existe? Com certeza! Os homens sempre têm aceitado o fato de sua existência. No decorrer da História, nota-se que o homem em cada época tem reconhecido que há um Deus ou possivelmente muitos deuses. Seja qual for a ideia que os homens tiveram de seu Deus oudeuses, nunca duvidaram de sua existência. A Bíblia simplesmente começa falando de Deus Supõe-se do princípio que a sua existência não precisa ser provada. De fato, o salmista fala: "Os tolos pensam assim: Deus não existe"(Salmo 14: 1). A existência de Deus é evidente por si mesma.
          Contudo, os homens negam a existência de Deus. O ateu desempenha o papel de néscio, de acordo com as palavras do salmista, e diz: "Não há Deus". Outros néscios podem dizer: "Deus está morto." O agnóstico não assume muito. Ele diz: "Eu não sei e nem posso saber se existe um Deus." Num mundo materialista, o homem quer uma evidência material da existência de Deus. Numa época científica, os homens exigem uma resposta cientifica. Um astronauta russo pensa que tem comprovado seu ateísmo, dizendo que não encontrou a Deus no espaço.
                    Não existem provas científicas
          A existência de Deus não pode ser provada racionalmente ou cientificamente. Nenhum homem pode ser obrigado a aceitar a realidade de Deus por análise racional. A existência de Deus não pode ser demonstrada em uma proveta para a satisfação do cientista. Não é possível demonstrar a existência de Deus da mesma forma que se pode provar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio. Não se pode chegar à conclusão de que Deus existe da mesma forma quase conclui que dois mais dois são quatro. A existência de Deus é conhecida pela fé. É simplesmente crer na revelação que Deus tem dado de si mesmo. É só aceitar a evidência que Deus tem posto diante do homem.
                    Deus se revela na natureza
          O mundo e as coisas criadas nele diz ao homem que existe um Criador e o revela à humanidade. Paulo destaca este ponto dizendo: "Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, tanto o seu poder eterno como a sua natureza divina, têm sido vistos claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso no que Deus tem feito e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma.” (Romanos 1:20). Apesar de que o homem não pode ver a Deus, mas pode ver a sua criação. Esta criação proclama o seu Criador, tal como a existência de um relógio pressupõe a existência de um relojoeiro e revela algo sobre ele. Assim o salmista diz: "Os céus falam da glória de Deus e anunciam o que ele tem feito! "(Salmos 19: 1)
          De fato, sempre que as sementes são semeadas, crescem e produzem uma colheita para preservar a vida, isto é uma lembrança de que deve existir um Deus por trás de tudo isso, um Deus que se preocupa com o homem, um Deus de bondade. Paulo, na sua primeira viagem missionária, disse aos habitantes de Listra: "Mas Deus sempre mostrou quem ele é, por meio das coisas boas que faz: é ele quem manda as chuvas do céu e as colheitas no tempo certo; é ele quem dá também a comida e enche o coração de vocês de alegria."(Atos 14: 17). Até os autores pagãos têm reconhecido isso. Cícero escreveu há anos: "Tu não vês a Deus, sem embargo, o conheces através de suas obras."
         Em cima disso, Deus tem gravado sua lei no coração do homem. O homem tem uma consciência que o lembra que terá de dar contas de si mesmo a alguém que é supremo legislador e juiz. Paulo fala dos gentios que não tinham a lei escrita como foi dada através de Moisés. Contudo, Paulo diz: "Eles mostram, pela sua maneira de agir, que têm a Lei escrita nos seus corações. A própria consciência deles prova que isso é verdade, pois os seus pensamentos às vezes os acusam e às vezes os defendem."(Romanos 2:15). Uma consciência acusadora é testemunha de um juiz supremo. Qualquer homem que insista: "Não há Deus," está fechando a sua mente diante de toda essa evidência. Ele deve chegar a ser completamente irracional: a  Escritura o chama de "tolo".
         É verdade que Deus se mostra ao homem por meio da natureza, mas somente num grau limitado. No máximo, o homem conhecerá a Deus como um ser eterno, sábio e glorioso, cheio de poder e justo, um Deus que deve ser temido. Mas isto deixa o homem completamente na escuridão sobre sua relação pessoal com Deus, a respeito de todas as coisas que vão mais além deste mundo. Isto não revela o que Deus tem em mente para o homem na eternidade. A auto-revelação de Deus na natureza o mostra como um Deus de poder e de criação. É completamente inadequado para revelá-lo como um Deus de graça e salvação.
                    A completa revelação de Deus nas Escrituras Sagradas
          Para que o homem saiba algo mais a respeito de Deus além do que pode ser visto na natureza, Deus mesmo terá que revelar-se. E isso Deus fez. Ele se revelou por um meio muito direto e especial: falando ao homem. Deus se revela através da Palavra. Por muitos séculos Deus falou com o homem através de outros homens conhecidos como profetas. Finalmente, ele entrou no mundo na forma humana. Em Jesus Cristo, o Filho, Deus chegou a ser homem e viveu entre os homens, revelando Deus ao homem. O autor da Epístola aos Hebreus escreve: " . Antigamente Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras aos nossos antepassados, por meio dos profetas, mas nestes últimos tempos ele nos falou por meio do seu Filho."(Hebreus 1:1,2). Em Cristo e através dele, o homem tem a mais completa revelação de Deus. Jesus disse: "Quem me vê vê também o Pai. "(João 14:9). Disse também que nenhum homem conhece o Pai "a não ser o Filho e também aqueles que o Filho o quiser revelar."(Mateus 11 :27). João escreve no seu Evangelho: “Ninguém nunca viu Deus”. Somente o Filho único, que é o mesmo que Deus e está perto do Pai, foi quem nos mostrou quem é Deus. “(João 1: 18)”.
          Mas, no dia de hoje, como o homem pode saber o que Deus falou através dos profetas? E sobre o que Jesus fez e ensinou? Tudo isso Deus tem dado ao homem em forma registrada nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento.
                    A natureza das Escrituras
          Isto provoca a seguinte pergunta: Que tipo de livro são as Escrituras? São simplesmente o que os seres humanos tenham registrado de forma humana? Com palavras humanas? Que Deus em algum tempo tenha falado e feito?
          É evidente que está sendo utilizada a linguagem humana nas Escrituras. Os idiomas originais, grego e o hebraico, foram falados por seres humanos. Quando estes são traduzidos para o nosso idioma, ainda continuam sendo as Escrituras em linguagem humana. Também é evidente que os autores que escreveram os vários livros da Bíblia, escreveram em um estilo que era natural para eles. É possível distinguir o estilo de Paulo com o de João. Estes homens usaram o vocabulário que eles haviam aprendido. Mas isso significa que a Bíblia é simplesmente um livro humano? Um registro puramente humano do que Deus revelou ao homem?
          O que as Escrituras afirmam ser? Repetidamente, no Antigo Testamento os profetas dizem: "Assim diz o Senhor". Eles afirmam estarem falando a Palavra de Deus. Paulo disse a Timóteo: Porque toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus. "(2 Timóteo 3.16). Pedro também diz: "Pois nenhuma mensagem profética veio da vontade humana, mas as pessoas eram guiadas pelo Espírito Santo quando anunciavam a mensagem que vinha de Deus."(2 Pedro 1 :21). A Escritura faz esta afirmação no Novo ,e no Antigo Testamento. De fato, Paulo afirma que as palavras que foram ditas por ele e pelos outros apóstolos lhes foram dadas por inspiração divina. Ele destaca o que eles falaram: "Portanto, falamos com palavras ensinadas pelo Espírito de Deus e não com palavras ensinadas pela sabedoria humana.t'(I Coríntios 2: 13). As Escrituras afirmam ser a Palavra de Deus, escrita por homens que foram inspirados pelo Espírito Santo.
Elas afirmam isto em tudo o que dizem, em cada palavra que está contida nelas. Mesmo que os homens tenham sido escolhidos para escreverem as Escrituras na linguagem humana, Deus os inspirou de tal maneira que cada palavra que eles escreveram, cada pensamento que estas palavras expressam, é o pensamento divino.
                    Pode a Escritura dar testemunho de si mesma?
          A Escritura prova algo pelas afirmações que se diz de si mesma? Quando um homem deseja trocar um cheque no banco, ele precisa mostrar a sua identificação, além de dar sua própria palavra. Outro tem que comprovar que ele é o que se diz ser.
          Contudo, não existe nenhuma autoridade superior a Deus. Nenhum homem, nenhuma igreja tem autoridade sobre Deus para provar que a Palavra de Deus é o que se diz ser. A Palavra de Deus convence o coração humano que as suas afirmações são verdadeiras. Jesus disse: "Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, saberá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por minha própria conta."(João 7: 17).
          A Palavra de Deus fala para o homem que ele é pecador e convence-o do seu pecado. Com que poder e verdade ela descobre a natureza do homem! Logo, Deus fala para o homem a respeito de sua graça em Cristo. No momento em que o Evangelho se dirige ao coração humano, o Espírito Santo trabalha a fé no perdão divino, produzindo a esperança, e dando a segurança da salvação. Deste modo a Palavra de Deus, pela obra do Espírito Santo, produz a fé até nas suas próprias afirmações. Esta não é uma prova lógica a respeito das suas afirmações; esta não é uma autenticidade humana. É o modo de Deus mesmo, é o modo do Espírito Santo provar que a Escritura é o que afirma ser.
                 
                      A Escritura: Infalível (sem Erro)
          O que Deus diz é a verdade. Jesus disse ao Pai Celestial: "Que sejam teus por meio da verdade; a tua mensagem é a verdade."(João 17:1 . Mesmo de uma só palavra do Antigo Testamento, do Salmo 82:6, Jesus diz: "Sabemos que as Escrituras Sagradas sempre dizem a verdade."(João 10:35). A Escritura, por ser a Palavra de Deus., é verdadeira, não engana, não profere nenhuma mentira, é infalível. É verdadeira e sem erros em todas as suas palavras. Embora não pretenda ser um livro de geografia, ela é verdadeira nos seus dados geográficos. Ainda que não seja dada como livro de ciências, a verdadeira ciência não encontrará nela erros em relação a esse tema. Contém muitas histórias e todas são verdadeiras, por que a escritura não
é um livro meramente humano. Seu autor é Deus.
                    A Escritura é clara
          A Escritura é uma revelação clara de Deus. Nela Deus fala claramente ao homem. O Salmista disse: "A tua palavra é uma lâmpada para o meu caminho e luz para me guiar.t'(Salmo 119:105). Pedro nos anima a guardar "a mensagem anunciada pelos profetas. Vocês fazem bem em prestar atenção nessa mensagem. Por que ela é como uma luz que brilha em lugar escuro."(2 Pedro 1: 19). Os faróis que estão cobertos pelo lodo emitem pouca luz no caminho. A Palavra de Deus poderia dissipar pouca luz num lugar escuro se ela mesma fosse escura.
          Isso não significa que a Escritura não contém seções e passagens que são mais difíceis de entender do que outras. O homem, por sua falta de conhecimento, jamais chegará a entender completamente algumas delas. A mesma Escritura diz que nas epístolas de Paulo "há algumas coisas difíceis de entender."(2 Pedro 3:16). No entanto, Deus revela claramente a sua vontade ao homem, seu plano de salvação, as bênçãos que Ele tem preparado em Cristo para o homem. A Escritura ilumina com claridade o caminho que leva para a vida eterna com Deus.
                    A Escritura é suficiente
          A revelação de Deus na natureza é incompleta e inadequada para a salvação. Mas, na Escritura, Deus revela ao homem tudo o que ele precisa saber. É plena e suficiente para o propósito de revelar ao homem a graça de Deus que dá a salvação. O homem rico no inferno quis que Lázaro fosse enviado à terra para advertir os seus irmãos e ensinar-lhes a maneira de escapar do inferno. Abraão respondeu: "Os seus irmãos têm Moisés e os profetas para avisarem. Que os escutem! "(Lucas 16.29). O homem rico protestou que a Escritura não era suficiente, mas que alguém que havia ressuscitado dentre os mortos precisava falar com seus irmãos. Disse-lhe Abraão: "Se eles não ouvirem Moisés e nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite.. "(Lucas 16:31). As Escrituras são plenamente suficientes quanto ao propósito que
Deus Ihes deu. A Escritura talvez não responda cada pergunta feita pela mente curiosa do homem, mas ela sim revela ao homem tudo o que ele precisa saber a respeito de Deus, tudo oque o homem precisa saber para encontrar o caminho da salvação.
                    A Escritura tem autoridade
          As Escrituras sendo a Palavra de Deus, devem ser reconhecidas pela sua autoridade. O homem não deve adulterá-las. Ele não deve lhe acrescentar nada e nem suprir-lhe nada. Deve utilizá-Ia como base de autoridade do que crê, para a sua maneira completa de viver. Deus fala: "Obedeçam a todas as leis que eu estou dando a vocês, sem acrescentar nem tirar nada." (Deuteronômio 12.32). Quando Deus ordena, quando Ele fala, tal como faz nas Escrituras, o homem deve reconhecer isto como autoridade. E tal autoridade como verdade absoluta.  A Palavra de Deus é esta verdade e não admite nenhuma mudança da parte do homem. Pedro escreve: "Quem anuncia anuncie a palavra de Deus."(1 Pedro 4: 11). Na Igreja, tudo o que se ensina e o que se confessa deve ter a Escritura como base.
          O homem deve aproximar-se das Escrituras com reverência e temor, porque Deus fala nelas. Com que cuidado devemos estudá-las! Com que sinceridade devemos utilizá-Ias! Nunca seja permitido que a razão humana, a erudição científica, a douta investigação tenha lugar acima das Escrituras. Todos devem ser colocados a serviço da Palavra de Deus para ajudar o homem a entender os pensamentos que a Palavra de Deus possui. A razão e a sabedoria humana serão utilizados como servidores da Palavra, jamais como mestre dela.
          É certo que existe um Deus. Ele não' está sem testemunha. O mundo criado testifica a sua existência, para que todos os homens fiquem sem desculpa. Porém mais particularmente, Deus se revela na Santa Palavra, as escrituras que testificam a Cristo, nas quais Cristo fala. Nelas Deus tem dado ao homem uma revelação verdadeira, clara e suficiente de si mesmo como o Deus da graça salvadora.
                    2 – A NATUREZA DE DEUS
          Se o homem ainda deve saber mais além do que a natureza lhe diz a respeito de Deus, Deus terá terá que revelar-lhe. Isto, Deus faz nas Escrituras. Mas o que Deus revela de si mesmo nas escrituras é limitado, não somente pela limitação da revelação divina, mas também pela limitação do entendimento humano. Como o homem com suas muitas limitações, entender um Deus infinito?
                Um menino brincando à beira-mar dificilmente pode esperar caber o mar inteiro em seu baldinho. Muito menos pode o homem com a sua razão e intelecto limitados esperar compreender o Deus infinito. O homem deve resignar-se em escutar a Deus como Ele lhe fala e se revela nas Escrituras. Através desta revelação, o homem pode obter  somente um conceito imperfeito sobre a sua infinidade. O homem dirá humildememe: "Fala, ó Eterno, pois o teu servo está escutando." (l Samue13:10).
                    Deus é espírito
          "Deus é Espírito." (João 4:24). Esta simples declaração da Escritura apresenta ao homem um retrato de Deus, que é difícil de compreender. Antes de entender plenamente o que é um espírito, o homem simplesmente deve dizer o que não é. Deus como espírito não é corporal.
          Pensar em Deus como um ser imaterial tem levado alguns a concluírem que Deus é uma grande força impessoal ou um poder de que alguma forma penetra todas as coisas. Outros têm a ideia de Deus como a "Primeira Causa" que, de alguma maneira, pôs este mundo em movimento, como um relojoeiro faz a um relógio, e que depois deixou que seguisse o seu próprio rumo. Ao contrário, a Escritura o revela como um Deus que tem interesse pessoal e direto em sua criação. "Não se vendem dois passarinhos por algumas moedinhas? Porém,  nenhum deles cai no chão sem que isso seja a vontade do Pai."(Mateus 10:29). Em todos os aspectos, o homem desfruta do cuidado especial de Deus,"pois vocês valem mais do que muitos passarinhos!" (Mateus 1 0:31). Então, Deus não é um ser impessoal ou uma força que penetra tudo, mas um espírito que sabe, vê, pensa, faz, ama e dirige. Seu interesse pessoal no homem vai até o ponto de que "até
os seus cabelos estão todos contados. "(Mateus 1 0:30).
                    Deus é um
          Quantos espíritos divinos ou deuses existem? A resposta é: "Deus é um só."(Gálatas 3:20). Moisés disse ao povo de Israel: "Escute, povo de Israel! O Eterno e somente o Eterno, é o nosso Deus." (Deuteronômio 6:4). Repetidamente a Escritura testifica a unidade de um só Deus.
          Se Deus é um, não se pode dizer que cada um que adore a um Deus, que fale de um Deus, que crê em um Deus, tenha o mesmo Deus? Alguns tem pensado se Deus é um, os judeus, os muçulmanos, os hindus, os cristãos, todos o adoram: só que cada qual o faz com a sua tradição particular. A modo de comparação: existe apenas um sol; seja quem for que olhe este sol, sem importar o ponto de vista científico que se tenha a respeito de sua composição, vê e recebe a  mesma luz e calor.
          Mas a Escritura declara que essa conclusão é falsa. O salmista escreve: "Pois os deuses das outras nações são somente ídolos, mas o Deus Eterno fez os céus."(Salmo 96:5).
          Um ídolo é um Deus que não existe, um Deus criado pelo homem, feito por ele de acordo com o seu próprio conceito do que deveria ser um Deus. Qualquer um que não conhece o único Senhor que fez os céus e a terra, o único Deus que se revela nas Escrituras, tem criado um deus, um ídolo. Se existe um só Deus, o importante é conhecê-lo e não a nenhum outro! Quão importante é conhecê-lo como Ele verdadeiramente é!
                    Deus é trino
          O verdadeiro e único Deus se tem revelado em três pessoas. Quando Jesus mandou batizar em nome do verdadeiro e único Deus, Ele disse: "Batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." (Mateus 28:19). Estes não foram somente três nomes dados ao único Deus. Eles são nomes que referem-se a três pessoas distintas. João registra as palavras de Jesus, o Filho de Deus: "Eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Auxiliador, o Espírito da verdade, para ficar sempre com vocês. " (João 14: 16). O Filho - uma pessoa - roga ao Pai - outra pessoa - que envie o Auxiliador- uma terceira e distinta pessoa. Porém as três pessoas de Deu não são três divisões de Deus, cada um representando uma terça parte de Deus. De Jesus a Escritura fala: "Porque toda a natureza de Deus vive na própria pessoa de Cristo, na sua humanidade." (Colossenses 2:9). Cada um, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são verdadeiros e completamente Deus. Contudo, não há três deuses, mas um só Deus. A Igreja adotou a palavra 'Trino' para expressar esta verdade revelada na Escritura. Deus é um Deus Trino. A Escritura fala de Deus como a Santíssima Trindade. Este é o verdadeiro Deus; todos os outros deuses são ídolos.
          Como é o Deus Trino? Uma parte significativa da resposta a esta pergunta será encontrada através de um exame das características que a Escritura atribui a Deus. Quais são os principais atributos de Deus? Como se relacionam com o homem? De que forma são significativos a respeito da relação de Deus com o homem?
                    Deus é eterno
          Deus não é temporal e sim eterno e imutável. O homem pode pensar somente em termos de tempo e mudança. Todas as coisas têm um começo, têm um fim e todas as coisas estão mudando constantemente. Isto é especialmente verdade para o homem. Mas Deus é eterno, sem princípio e nem fim. Antes de que o mundo existisse, Deus já existia. "Antes que os montes existissem, e antes de começares a criar o mundo, tu és Deus eternamente, sem começo nem fim. "(Salmo 90:2). Como Deus é eterno, Ele não está sujeito ao tempo. O homem cuidado- samente mede o tempo, registra os eventos de acordo com as suas sequências e nota quanto tempo transcorre entre eles. O homem não pode pensar em outros termos. Deus não está sujeito a essas limitações. Pedro disse: "Para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia." (2 Pedro 3:8). Jesus também dá evidência da sua eternidade quando diz aos judeus: "De fato, antes de Abraão nascer, 'Eu Sou'!" (João 8:58). Abraão esteve sujeito ao tempo, mas Jesus, que é Deus, é sempre-presente e eterno.
          Assim como Deus é eterno e sem limitações de tempo, Ele também é imutável. O salmista reconhecendo que o céu e a terra envelhecem e está sujeitos a mudança, dirige-se a Deus: "Mas tu és sempre o mesmo, e a tua vida não tem fim. "(Salmo 102:27). Tiago fala dos dons que desce de Deus, o Pai da luz, e afirma: "Ele não muda, e não há nele nem sombra de mudança. " (Tiago 1: 17). Isso quer dizer para o homem que nenhuma promessa que Deus faça e nenhuma palavra que Ele fale, será mudada. O homem pode rejeitá-lo, pode recusar-se a crer nele, mas Deus permanecerá fiel. Paulo escreve a Timóteo: "Se não fomos fiéis, Cristo continua fiel porque não pode ser falso a si mesmo.” (2 Timóteo 2: 13). "Se alguns não foram fiéis, isso quer dizer que Deus será infiel? De jeito nenhum! Deus continua verdadeiro, mesmo que todos sejam mentirosos.” (Romanos 3:3-4).
                    Deus é onipresente
          Outro atributo de Deus que está relacionado com a sua eternidade e imutabilidade é a sua infinidade. Deus não está sujeito ao espaço; ao contrário, Ele é onipresente. Jeremias registra as palavras de Deus: "Ninguém pode se esconder num lugar onde eu não possa ver. Então vocês não sabem que estou em toda parte, no céu e na terra?" (Jeremiais 23:24). O fato de que um prédio ocupe um determinado espaço, não significa que Deus não esteja ali. O fato de que Deus está na América do Sul não quer dizer que Ele também não esteja na Europa, na Ásia, na África ou em qualquer parte da terra e do céu. Nenhum astronauta pode viajar no espaço além do alcance de Deus. O salmista corretamente faz a pergunta: "Aonde posso ir a fim de escapar do teu Espírito? Para onde posso fugir da tua presença:” {Salmo 139:7). Ele percebe que não existe
um lugar onde o homem possa se esconder da presença de Deus. Ao mesmo tempo Deus dá ao cristão o consolo, assegurando a sua confiança: "E lembrem-se de que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos."(Mateus 28:20). Nem o tempo e nem o espaço removerão do homem a, presença sustentadora de Deus.
                    Deus é onisciente
          Deus é onisciente: "A sua sabedoria não pode ser medida." (Salmo 147:5). Para Deus nada é desconhecido. A carta aos Hebreus lembra os seus leitores: "Não há nada que possa se esconder de Deus. Em toda a criação, tudo está descoberto e aberto diante dos seus olhos, e é a ele que todos nós prestaremos contas."(Hebreus 4:13). O homem esquece muito das coisas que faz, de muitas palavras que fala, mas Deus as conhece e lembra-se delas perfeitamente. O homem nunca chegará a dar conta de cada pensamento que cruza em sua mente, mas Deus que examina o coração, o vê e sabe. Em tempos difíceis, o cristão pode temer que Deus o conhece, o vê, que relembra perfeitamente.
          Unido com o seu perfeito conhecimento de todas as coisas está a sua perfeita sabedoria. Deus sempre sabe o que é melhor. "No entanto Deus é sábio e poderoso; ele tem inteligência e entendimento. "(Jó 12: 13). Ao examinar a criação divina o homem é obrigado a falar: “Ó Deus Eterno, tu tens feito tantas coisas e com sabedoria as fizeste." (Salmo 104:24). Por isso, Paulo pode escrever: "Como são grandes as riquezas de Deus! Como são profundos o seu conhecimento e a sua sabedoria! Quem pode explicar as suas decisões? Quem pode entender os seus planos?" (Romanos 11 :33).
                    Deus é onipotente
          O homem tem aprendido a usar e controlar recursos de vasto poder, mas inevitavelmente existe um ponto além do qual o homem não pode ir. Vem o tempo em que deve ser dito: "Para os seres humanos isso não é possível;" em contraste ao que Jesus disse: "mas, para Deus, tudo é possível."(Mateus 19:26). Deus é onipotente, seu poder vai muito além do que o homem pode imaginar. Paulo escreve aos Efésios: "E agora glória seja dada a Deus, que, por meio do seu poder que age em nós, pode fazer muito mais do que pedimos ou pensamos."(Efésios 3:20). O homem se orgulha do seu poder nos descobrimentos e desenvolvimentos da ciência. Algumas vezes parecem que são ilimitados! Em comparação com a onipotência de Deus quão insignifi- cantes eles são! A onipotência de Deus é infinita.
                    Deus é santo
          Na visão da glória do Senhor, Isaías escutou seis serafins perto do trono santo clamando um ao outro: "Santo, santo, santo é o Eterno, o Todo-poderoso; a sua presença gloriosa enche o mundo inteiro!" (Isaías 6:3). Deus é o único exaltado e infinitamente perfeito, Ele ama o bem e fala para o homem: "Portanto, sejam santos, pois eu sou santo."(Levítico 11:45). Em sua santidade ele se aborrece de todo o mal, seja isto uma mentira pronunciada ou a maldade no coração. "Pois, eu, o Eterno, odeio essas coisas." (Zacarias 8: 17).
          E assim também encontramos na Escritura a justiça atribuída a Deus. Deus é justo com o homem em todos os momentos. Bildade, um dos amigos de Jó, pergunta: "Será que Deus torceria a justiça? Será que o Todo-poderoso faria o que não é direito?" (Jó 8:3). A pergunta provoca uma resposta negativa. Deus nunca perverterá a justiça. O Senhor Jesus que retornará para o juízo é chamado "o justo Juiz" (2 Timóteo 4:8). Sem dúvida, o Deus Santo é justo e sem pecado, recomendando o que é bom e condenando a maldade. Sua santidade aborrece o pecado, sua justiça condena o pecado. Isaías na sua visão, tendo contemplado ao Santo Deus Trino, teve que dizer: "Ai de mim! Estou perdido! Pois os meus lábios são impuros, e moro no meio de um povo que também tem lábios impuros. E com os meus próprios olhos vi o Rei, o Eterno, o Todo-poderoso!" (Isaías 6:5). O homem não pode brincar com a santidade e a justiça de Deus. Estas são completamente reais. Deus é infinitamente perfeito. "Santo, santo, santo é o Senhor, Deus Todo-poderoso, que era, que é e que há de vir. "(Apocalipse 4:8).
                    Deus é amor
          O atributo de Deus mais significativo para o homem é o amor. É esta uma característica de Deus tão completa que a Escritura não somente diz que Deus ama, mas declara: "Deus é amor." (l João 4:8). A Escritura fala de tais aspectos e evidências do amor de Deus, como: bondade, benignidade, misericórdia, compaixão, graça, clemência, longanimidade, paciência.
          Este amor infinito de Deus tem um significado eterno para o homem. O Senhor diz ao povo: "Eu sempre os amei e continuo a mostrar que o meu amor por vocês é eterno."(Jeremias 31:3). É este amor infinito de Deus para o mundo inteiro que o moveu a dar o seu Filho para que o homem possa ter vida através da fé nele (João 3:16). Tão grande foi o amor de Deus que "quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós." (Romanos 5:8). Para o homem é uma coisa natural amar os amigos e/ou amar aquelas pessoas que correspondem com o mesmo amor. Mas Deus amou àqueles que, pelo pecado, foram feitos seus inimigos. Que maior evidência existe de que Deus "é muito rico em misericórdia, e o seu amor é muito grande."(Efésios2:4).
          Quando o homem busca entender tudo o que Deus revela sobre si mesmo, só pode maravilhar-se.

                    3 - A ORIGEM DO MUNDO
          O homem sempre tem se perguntado de onde veio o mundo. Tem-se perguntado sobre a origem deste vasto universo. Os cientistas têm dedicado muito dos seus esforços para descobrir algum indício sobre a origem da terra. Na Santa Escritura Deus dá a resposta para cada pergunta. Nela encontra-se a história que somente Deus pode contar. Isto não é fábula, não é mito, e sim a verdadeira história deste mundo revelada por Deus.
                     Deus criou os céus e a terra
          A escritura começa com estas palavras: "No começo Deus criou o céu e a terra."(Gênesis 1: 1). Este mundo não é de maneira nenhuma o resultado de uma mera casualidade. A matéria de que o mundo está constituído não é eterna. Antes do princípio, só Deus existia. Somente Deus é eterno e Ele é o criador do céu, da terra, do universo e de todas as coisas. A Escritura diz que Cristo "já existia antes de tudo, e em união com ele todas as coisas são conservadas em ordem e harmonia." (Colossenses 1: 17).
          Este ato criador de Deus é descrito na Epístola aos Hebreus da seguinte maneira: "É pela fé que entendemos que o universo foi criado pela palavra de Deus e que aquilo que pode ser visto foi feito do que não se vê."(Hebreus 11 :3). A Criação efetuou-se pela Palavra de Deus. Deus pronunciou sua palavra de poder e o que Ele disse veio a ser. Ele disse: "Haja", e esta palavra fez com que existisse o que Ele disse. Do que não existia, sua palavra fez tudo o que se vê hoje. O ato criador de Deus constituiu em criar do nada todas as coisas nos céus e na terra.
          Esta criação aconteceu durante os seis primeiros dias do tempo. No decorrer de seis dias normais, Deus criou todas as coisas e, finalmente, os animais de todas as espécies e o homem, segundo o relato dos primeiros capítulos de Gênesis. Quando Deus deu os dez mandamentos a Israel por meio de Moisés, Ele novamente fez menção do fato de que "em seis dias eu, o Deus Eterno, fiz o céu, a terra, os mares e tudo o que há neles." (Êxodo 20: 11).
                    Os anjos
Ainda que nenhuma passagem da criação em Gênesis faça uma especial menção a respeito dos anjos estes sem dúvida fizeram parte dela. Paulo refere-se à criação destas criaturas invisíveis, quando escreve sobre o Filho de Deus: "Porque, por meio dele, Deus criou tudo, nocéu e na terra, o que se vê e o que não se vê, inclusive todos os poderes espirituais, as forças, os governos e as autoridades. "(Colossenses 1: 16).
                  O homem
          A obra criadora de Deus alcançou o seu apogeu com o homem. O sol, a lua e as estrelas foram postos no firmamento "para iluminarem a terra." (Gênesis 1: 17). E a terra foi criada para ser o lar do homem.  Ao homem foi dado o domínio: "Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam no chão." (Gênesis 1:26).
          A Escritura declara que tudo foi criado por causa do homem. O homem é de uma classe distinta na criação de Deus. Não é simplesmente a forma superior da vida animal. O homem é diferente das outras criaturas viventes. Isto já é evidente pela forma em que ele foi criado. Todas as demais formas de vida foram simplesmente chamadas a ser quando Deus ordenou à terra que as produzisse. Logo Deus disse: "Que a terra produza todo tipo de animais."(Gênesis 1:24). Referente ao homem, a Escritura diz: "Então, do pó da terra, o Deus Eterno formou o ser humano. Ele soprou no seu nariz uma respiração de vida, e assim esse ser se tomou um ser vivo."(Gênesis 2:7).
          O homem difere-se de todos os demais seres vivos por que Deus lhe deu tanto um corpo como uma alma (um espírito). Jesus falou claramente sobre isto quando disse: "Não tenham medo daqueles que matam o corpo e não podem matar a alma. Mas tenham medo de Deus, que pode destruir no inferno tanto a alma como o corpo."(Mateus 10:28). Ainda que o corpo do homem seja similar em muitos aspectos ao corpo
dos animais, somente o homem tem alma.
                    A imagem de Deus
          O que é mais distinto na criação do homem é o que Deus disse: "Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco."(Gênesis 1:26). Isso não foi dito a nenhuma outra parte da criação, a nenhum outro ser vivo. Como Deus é um espírito sem corpo físico, a imagem de Deus não se refere a nenhuma aparência física. A imagem considerada de Deus em seu sentido amplo,  consiste em que o homem é semelhante a Deus, no sentido de que é um ser pessoal que tem inteligência, vontade, emoções, habilidade de pensar, de tomar decisões e de chegar a conclusões. O que a imagem de Deus é no seu sentido verdadeiro, aprende-se na Escritura.
          Paulo fala da renovação da imagem de Deus no homem caído. O que é que se perdeu e deve ser restaurado para que se possa dizer mais uma vez que o homem tem a imagem de Deus? O novo homem "e se vestiram com a nova natureza. Essa natureza é a nova pessoa que Deus, o seu criador, está renovando constantemente para que ela se tome semelhante a ele, a fim de trazer vocês ao completo conhecimento dele mesmo." (Colossenses 3: 10).
          Paulo pede aos cristãos de Efésio: "Vistam-se com essa nova natureza, que Deus criou de acordo com a sua própria natureza e que se mostra na vida verdadeira, que é correta e dedicada a ele." (Efésios 4:24). A semelhança de Deus consiste em uma mente cuja maneira de pensar corresponde à maneira divina, em uma vontade que concorde com a dEle e em um coração que ame o que Deus ama. Com esse tipo de mente, de vontade e de coração, o homem é justo e santo como Deus, que o criou. Deus deu tudo isso ao homem quando ele foi criado.
                    A perfeita criação de Deus
          "E Deus viu que tudo o que havia feito era muito bom." (Gênesis 1:31). O sábio Deus da perfeição criou um mundo que saiu da sua mão sem defeito, sem a presença da maldade e sem mancha ou imperfeição. Verdadeiramente quando o mundo saiu da mão de Deus era uma criação que o glorificava. Numa visão, João ouviu os vinte e quatro anciãos adorando diante do trono nos céus, dizendo: "Tu és digno de receber glória, honra e poder porque criaste todas as coisas; por tua vontade elas foram criadas e existem. "(Apocalipse 4: 11).
                    Deus preserva a sua criação
          O interesse de Deus pelo mundo e pelo homem não terminou na criação. Quem criou todas as coisas também preserva o que tem criado. O mundo e o homem ainda são os objetos de contínuo e providencial apoio divino. Para que o mundo continue pleno de vida animal e vegetal em todas as suas espécies, Deus pela sua palavra proveu para a propagação de cada classe 'segundo sua espécie'. Cada planta recebeu a ordem de produzir sementes, que iriam germinar e converter-se em plantas da mesma espécie da original. Deus deu ordem aos animais que se reproduzissem, de modo que sua linhagem fosse da mesma espécie da original. A população do mundo não se limitou em Adão e Eva - o primeiro homem e a primeira mulher criados por Deus -. Sua benção sobre eles foi: "Tenham muitos e muitos filhos; espalhem-se por toda terra e a dominem."(Gênesis 1:28). Desta maneira Deus proveu a continuação da existência do homem, a coroa da criação.
          Em geral, a preservação da terra segue um curso que corresponde às leis da natureza. Estas leis foram estabelecidas e são sustentadas por Deus, "com a sua palavra poderosa."(Hebreus 1:3). Deus envia a chuva e o sol, dá as estações frutíferas, preserva as leis da inércia e da gravidade, causa o crescimento e a decomposição como parte da preservação da criação. Este é o Deus que governa todas as coisas, dominando e dirigindo o curso dos eventos para que possam servir a seu propósito e seu plano. Sem dúvida, é verdade que "A pessoa faz os seus planos, mas quem dirige a sua vida é o Deus Eterno." (Provérbios 16:9).
          Isto se aplica também às nações. Foi Deus quem "marcou os tempos e os lugares certos onde os povos deviam morar.". (Atos 17:26). Isto não significa que o homem seja um robô a quem Deus irresistivelmente força a atuar de um modo particular. Aliás, significa que "em todas as coisas Deus trabalha para o bem daqueles que o amam."(Romanos 8:28). Deus não forçou Judas a trair Jesus, mas usou essa traição para o bem: de acordo com a sua promessa, Jesus deu a sua vida para a redenção do homem. O mundo contínua sendo um objeto que concerne a Deus, seu curso continua sob sua direção e guia. Deus é tanto o criador como o preservador.
                    A evolução por milhares de anos
          A simples narração que a Bíblia dá a respeito da criação do mundo, tem sido rejeitada por grande parte da humanidade. Os geólogos tem tentado explicar a atual forma da terra como o resultado de um desenvolvimento evolutivo que tomou lugar durante milhões de anos. Os biólogos têm tentado demonstrar que o homem não é mais do que outra forma de vida animalque tem evoluído desde seus antepassados inferiores, como o macaco. Também, fala-se que isto ocorreu durante um largo período de tempo. Os astrônomos têm tratado de explicar a existência do universo com suas vastas galáxias através de várias e, algumas vezes, contraditórias teorias.
          Até alguns teólogos e líderes religiosos tentam explicar a narração em Gênesis de tal forma que harmonize com as suposições dos cientistas. Chegou a ser popular ver o livro de Gênesis corno um relato mítico ou uma narração simbólica ou poética que não pretende de nenhuma forma ser um fato histórico. Afirma-se que os judeus buscaram a forma de expressar a passagem da criação sem dizer nada sobre a maneira de corno ocorreu, em linguagem mítica. Se deve lembrar que Jesus, o Filho de Deus, não vacilou em falar da criação do homem de acordo com o registro em Gênesis (Mateus 19:4). Seja quem for que insista em rechaçar a narração bíblica da criação, terá que entrar em discussão com Jesus. Não se deve permitir que as sagradas Escrituras sejam acomodadas a teorias humanas. Antes, se deve exigir 80S cientistas que, ao formular as suas teorias, o façam de maneira que não contradigam a clara revelação da Escritura. Cientistas de boa reputação tem dado a segurança de que isto é possível.
          Não é possível neste livro refutar as diferentes teorias evolucionistas ponto por ponto. Será bom, de qualquer modo, revisar certos princípios básicos que o cristão pode usar nas discussões de teorias que pretendem explicar as origens do universo, do mundo e do homem.
    - O cristão deve estar preparado a distinguir entre os fatos científicos e meras explicações       possíveis dos fenômenos observados.
     -O cristão não deve cegar-se pelas inconsistências do evolucionismo, nem pelas contradições de algumas leis científicas, nem pelo fato de que suas amplas conclusões, frequentemente, são baseadas num mínimo de evidência.
    - O cristão não se deixará abalar pelo grande número de opositores. A ampla aceitação das teorias evolucionistas não faz que estas sejam verdadeiras.
    - O cristão aceitará a Escritura no seu sentido simples, tentando reconhecer claramente o uso da linguagem figurada das parábolas e metáforas, mas sempre aceitando como história o que se apresenta corno tal.
    - O cristão deve lembrar que as explicações de todo fenômeno observável, de todas as observações geológicas, etc., não podem e nem devem fazer violência às Sagradas Escrituras. Ele reconhecerá que nunca há a menor contradição entre a verdadeira ciência e a verdade de Deus nas escrituras. Sabe que não há contradição entre o mundo criado por Deus e a sua Palavra revelada.
    - O cristão lembrará que a ciência não pode concernir com a origem do mundo, já que está fora do alcance da investigação científica. Deus é o único que pode falar sobre o evento da criação pois Ele é o Criador. E isto Ele faz na Escritura.
                    4 – O PECADO
          Ao ver que a sua criação havia terminado, Deus: a declarou boa. Porém, alguém que tem contemplado o mundo e o homem poderá pôr em dúvida essa declaração divina. Quando uma praga destrói uma plantação, um terremoto causa destruição e morte, um furacão destrói casas e vidas, o homem se pergunta sobre a bondade da natureza. Quando motins resultam em incêndios e destruições, quando o roubo, o homicídio e o sequestro prevalecem, quando as guerras, com suas atrocidades, sucedem na terra, o homem começa a duvidar da própria bondade. Este mundo tem deixado de ser 'bom' como Deus dissera. O que aconteceu com o mundo? O que sucedeu? A resposta é 'o pecado'.
                    A natureza do pecado
          O que é o pecado? A Escritura o define como a "quebra da Lei". (1 João 3:4), isto é, desobediência. Deus revelou sua bondade ao homem. No homem existe, até certo ponto, o conhecimento do bem e do mal. Toda pessoa normal, por exemplo, sabe que matar é errado. Assim, também na Escritura se tem a lei de Deus em forma escrita. Existe uma norma absoluta que Deus estabeleceu para a conduta humana. Qualquer desvio dessa norma divina é pecado ou desobediência. O pecado também é chamado de transgressão porque implica em ultrapassar os limites impostos por Deus. Também é chamado "mal". (l Coríntios 14:20). "De fato tenho sido mau desde que nasci; desde o dia do meu nascimento tenho sido pecador."(Salmo 51:5). Porque o pecado é uma violação da Lei de Deus, e na realidade uma rebelião contra Deus. (Romanos
8:7).
                    A queda no pecado    
          O que foi que fez com que a 'boa' criação se tomasse um mundo cheio de pecado e maldade? Achamos a resposta a esta pergunta no terceiro capítulo de Gênesis, Satanás, um dos anjos que havia pecado contra Deus e que tinha sido expulso da presença divina, tentou o homem. Satanás, falando com Eva pela boca de uma serpente, primeiro levantou a dúvida sobre a ordem que Deus havia dado de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal e logo contradisse claramente as palavras de Deus. Eva fazendo o uso da liberdade de atuar que lhe foi concedida na sua criação original escolheu seguir a palavra enganosa de Satanás. Então Eva comeu do fruto proibido e o ofereceu a Adão que também comeu, contrariando o que Deus tinha mandado. Desta forma, quando o homem desobedeceu a ordem de Deus; o pecado fez o seu primeiro estrago neste mundo - uma vez perfeito na criação.
                    A queda, um desastre
          O resultado pela entrada do pecado foi desastroso para o mundo e para o homem. Deus disse a Adão: “Por causa do que você fez, a terra será maldita”. Você terá de trabalhar duramente a vida inteira a fim de que a terra produza alimento suficiente para você. Ela lhe dará mato e espinhos, e você terá de comer ervas do campo.” (Gênesis 3:17-18). Por causa disto, Paulo escreve: “Pois sabemos que até agora o universo todo geme com dores iguais às de parto.” (Romanos 8:22). O mundo em que o homem vive hoje é imperfeito por causa do pecado.
          E quão desastroso foi o pecado para o homem! “No dia em que você a comer, certamente morrerá.” (Gênesis 2:17). Imediatamente a morte espiritual tomou conta dos primeiros seres humanos. Em vez de amarem e confiar em Deus e deleitarem em sua presença, Adão e Eva se esconderam, fugindo atemorizados da presença de Deus> Agora eles estavam ”espiritualmente mortos por causa da desobediência a Deus e por causa dos seus pecados.” (Efésios 2:1)
          A morte espiritual trouxe consigo a morte temporal. Na hora que o homem adquiriu o pecado, Deus o expulsou do Éden, pois “ele não deve do fruto da árvore da vida e viver para sempre.” (Gênesis 3:22). Agora o homem tem um corpo que envelhece e morre. Está sujeito a dores e doenças. Através da medicina o homem pode aliviar o seu sofrimento e até muitas vezes extingui-lo, mas a morte é inevitável. Lutero cantou: “A morte a todos subjugou, com o seu poder ingente; eis que o pecado dominou, não houve inocente.” (Hinário Luterano 109)
          Quando os anjos pecaram, Deus “os jogou no inferno e os deixou presos com correntes na escuridão, esperando o Dia do Julgamento.” (2 Pedro 2:4). Ainda que este não tenha sido o resultado imediato para o homem quando pecou, não obstante, ele terá que ouvir as palavras: “Afastem-se de mim, vocês que estão debaixo da maldição de Deus! Vão para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos!” (Mateus 25:41). “O salário do pecado é a morte.” (Romanos 6:23), e isto inclui a morte eterna, condenação e inferno.
                    O pecado original é universal
          O pecado foi desastroso para Adão e Eva. O mesmo se tornou realidade para todos os seus descendentes, para a humanidade inteira. Adão e Eva são os pais originais de todos os demais homens. Quando, um poço se contamina, toda a água que dele procede será contaminada. Referente ao homem, Jó fala: “O ser humano, que é impuro, nunca produz nada que seja puro.” (Jó 14:4). Jesus também disse: “A pessoa nasce fisicamente de pais humanos.” (João 3:6). A palavra fisicamente – carne – se refere a natureza pecadora e pervertida que é própria do homem desde a queda. De Adão e Eva em diante, a carne pecadora só poderá trazer ao mundo mais carne pecadora. Por isso o salmista afirma: “De fato, tenho sido mal desde que nasci; desde o dia do meu nascimento tenho sido pecador.” (Salmo 51:5). O pecado original passa de pais pecaminoso a filhos, os quais no seu nascimento herdam a natureza pecadora dos pais. Por mais inocente que pareça um recém-nascido, o pecado original é a sua herança.
                    O pecado original condena
          'Esta aflita herança tem pouco ou quase nenhum significado' - o homem gostaria de dar esta impressão. Pode considerá-la somente uma debilidade desafortunada, que se vence facilmente. Somente na Escritura se pode reconhecer a verdadeira condição do homem, como o resultado do pecado original. A Escritura destaca que o homem natural não tem capacidade de receber "os dons que vêm do próprio Espírito de Deus e de fato nem pode entendê-lo."( I Coríntios 2: 14). Ao descrever o homem como um ser que, por natureza, está nas trevas espirituais ou espiritualmente morto, a Bíblia mostra uma condição na qual o homem não pode se livrar pelo próprio esforço o que está morto não pode produzir vida. A escuridão por si mesma não pode gerar luz. O homem não só tem deixado de amar a Deus, mas por natureza é incapaz de fazê-lo. A mente e o coração natural são descritos: "Por isso o ser humano se toma inimigo de Deus quando a sua mente é controlada pela natureza humana. Porque ele não obedece à Lei de Deus e de fato não pode obedecer a ela." (Romanos 8:7). O homem tem um coração que cobiça o que é mau (Gálatas 5: 17-24). Esta natureza hereditária leva todos os homens à merecida condenação de Deus. Paulo diz aos Efésios: "De fato, todos nós éramos como eles, vivendo de acordo com a nossa natureza humana, e fazíamos o que o nosso corpo e a nossa mente queriam. Assim como  os outros, nós também estávamos destinados a sofrer o castigo de Deus." (Efésios 2:3). Se nós por natureza somos filhos da ira, então nós por natureza estamos com o resultado do pecado original - no caminho da condenação.
                      O  pecado atual (efetivo)
          Utiliza-se o termo 'pecado original' para descrever a condição pecaminosa do homem, logo o pecado atual ou efetivo fala das ações pecaminosas do homem. O primeiro trata do que o homem é, e o segundo do que ele faz. Cada pensamento, palavra e ação que é contra a Lei de Deus é pecado e, geralmente, se chama de pecado atual. Isto não significa que o pecado original é menos real ou condenador mas, sim, que o pecado atual é um ato cometido por uma pessoa particular.
          É óbvio que ao cometer um delito como um roubo ou um homicídio, algo que viola qualquer um dos mandamentos de Deus, o homem está pecando. Mas, da mesma maneira, a falta de fazer o que se deve também é um pecado. "Portanto, quem sabe fazer o bem e não faz comete pecado. " (Tiago 4: 17). Portanto, pode-se falar de pecados cometidos e de pecados omitidos. Até as meras palavras que o homem fala pode ser um pecado atual. Jesus informou os fariseus: "Cada um vai prestar contas de toda palavra inútil que falou."(Mateus 12:36). Toda a conversação do homem está debaixo da análise da Lei santa de Deus.
          O mesmo acontece com cada pensamento do homem e com cada desejo que sente. Qualquer pensamento ou desejo que quebra a Lei de Deus, é pecado. Jesus não disse que só o ato de matar é pecado, e sim, também "que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão será
julgado. " (Mateus 5:22). Também todo aquele que "olhar para uma mulher e desejar possuí-Ia, já adulterou no seu coração." (Mateus 5:28). Então, se o homem tem estes desejos e pensamentos intencionalmente ou não, ou se tem estado consciente ou não, já pecou.
          O grau de corrupção dos pensamentos, palavras e ações é evidente quando a Escritura diz: "Sem fé ninguém pode agradar a Deus." (Hebreus 11:6). É verdade que, até certo ponto, o homem natural pode efetuar obras que parecem ser boas. O homem natural pode ser um cidadão obediente, pode evitar o homicídio, o roubo e o adultério. Ele pode mostrar compaixão ou ajudar o próximo. Até pode fazer obras de caridade, ser um trabalhador responsável, um esposo e pai fiel. Até certo grau, uma vida de justiça cívica, que compreende a conduta externa do homem no mundo, é possível Neste mundo, tal vida é julgada como boa e até poderia ser recompensada. Contudo, quando estas obras são feitas sem fé em Cristo, por melhor que sejam, Deus não aceitará como boas. Para Deus, em todos os aspectos a verdade é: "Não há mais ninguém que faça o que é direito, não há ninguém mesmo." (Salmo 14:3).
                    A maldição do pecado deve ser reconhecida
          É de muita importância que o homem reconheça a realidade e o grau do pecado original e do pecado atual. Se não reconhece a sua verdadeira condição em relação a Deus, não reconhecerá sua necessidade de socorro. Somente quando reconhece sua total escravidão ao pecado, tratará de buscar a liberdade. Somente quando o homem por natureza reconhece que está morto espiritualmente, se dará conta que qualquer fonte de vida espiritual tem que estar fora dele mesmo. Ao ver a extensão do pecado e suas consequências condenadoras, o homem começa a perceber que a salvação tem que vir como um Dom gratuito da graça e misericórdia de Deus. A única esperança do homem consiste em dizer:
                            “Ainda que eu pareça fiel, Ainda chore sem parar, Do pecado não poderei Justificação alcançar; Somente em ti, tenho fé, Posso meu perdão achar. (culto Cristão, 213). “


                    5 - JESUS CRISTO
          'Mortos em pecado,' é como a Escritura descreve a condição espiritual na qual se encontra o homem. De acordo com essa condição é impossível, pelo menos para a própria habilidade ou capacidade humana, ajudar a si mesmo. O que está morto não pode gerar vida. Se existe alguma esperança para o homem, esta tem que vir de alguém que está além do homem pecador. E esta ajuda já veio em Jesus Cristo.
                     Jesus Cristo - o Deus/homem
          Quem é Jesus Cristo? A resposta tem dois sentidos. Ele é verdadeiro Deus; e é verdadeiro homem. Ele é Deus e homem. A maravilha e o mistério vão além da razão humana. O homem deve modestamente escutar o que a Escritura ensina sobre Jesus Cristo.
          São poucos os que negam que Jesus Cristo é verdadeiro homem. Numa narração difícil de se esquecer, Lucas relata o nascimento do menino, o qual foi dado o nome de Jesus. Foi durante o reinado de César Augusto sobre o Império Romano, dois mil anos atrás, quando Maria, esposa de José, deu à luz um menino em Belém. Este menino precisou do cuidado e atenção de Maria, sua mãe, precisou da ajuda de José para fugir para o Egito com o objetivo de conservar a sua vida. Este menino comia, dormia, e "crescia no corpo e em sabedoria." (Lucas 2:52). Ele tinha a sensibilidade de qualquer ser humano, chorando na morte de seu amigo Lázaro. "Foi tentado do mesmo modo que nós." (Hebreus 4: 15). Finalmente, sofreu a mesma morte a qual todo homem está sujeito. Portanto, não existe dúvida alguma sobre o fato de Jesus de Nazaré, o Filho de Maria, ter sido um verdadeiro ser humano. Foi tão humano que atualmente muitos querem chamá-lo só de ser humano. Mas houve ocasiões durante a sua vida quando alguns reconheceram que Ele era na verdade diferente, e único em sua obras.
                    Jesus é verdadeiro Deus
De fato Jesus foi único. Seu nascimento já deu evidência disso. Um anjo anunciou a Maria que o menino seria concebido no seu ventre, por que o Espírito Santo viria sobre ela e lhe faria um milagre (Lucas 1 :35). A José foi lhe assegurado que Maria estava grávida pelo Espírito Santo (Mateus 1 :20). A Maria lhe foi dito: "Por isso o menino será chamado santo e Filho de Deus"(Lucas 1:35). E assim foi, "quando chegou o tempo certo, Deus enviou o seu próprio Filho. Ele veio como filho de mãe humana" (Gálatas 4:4). E aqui a 'Palavra', como João chamava a Jesus, "se tornou um ser humano e morou entre nós" (João I: 14), aquele que "estava com Deus e era Deus" no princípio (João 1:1). Quando Jesus nasceu, foi o Filho de Deus que nasceu. A Escritura o chama de o Filho eterno de Deus. Ele é o verdadeiro Deus.
          Isso foi evidente no decorrer da sua vida. Quando Ele ordenou aos ventos e as ondas, eles lhe obedeceram para espanto de seus discípulos. Sua bênção pôde multiplicar alguns pedaços de pão e alguns peixinhos, de tal forma que pode satisfazer a fome de 5000 pessoas. A morte teve que se render a sua Palavra de poder. Tudo isso foi evidente no que ele afirmava: "O Pai e eu
somos um" (João 10:30). Ele é o Deus verdadeiro. Nomes divinos, atributos divinos, obras
divinas, honra divina, tudo isso é dele.
                    Duas naturezas em uma pessoa
          Verdadeiramente, Jesus é uma pessoa única. Ele é verdadeiro Deus, pelo qual Paulo diz: "Porque toda a natureza de Deus vive na própria pessoa em Cristo, na sua humanidade" (Colossenses 2:9). Mas ao mesmo tempo, possui em todos os aspectos uma natureza humana verdadeira.
          Sem dúvida, não são duas pessoas distintas, uma Deus e outra homem. Nele as duas naturezas, diferentes e distintas como são, estão unidas de forma misteriosa numa só pessoa.
          Tão próxima é a união das duas naturezas, que tudo o que se diz de Jesus como homem se diz dEle como Deus/homem. Isso só pode ser aprendido na Escritura. Porque somente a Escritura nos apresenta Jesus desta forma, podemos conhecê-lo como esta única pessoa, Deus/homem.
          O nascimento é uma característica da natureza humana. Por possuir uma natureza humana, Jesus pôde nascer. Até isso não foi um simples nascimento de um homem com sua natureza humana, mas foi o nascimento de Jesus - o Deus/homem. As Escrituras estabelecem claramente que o Santo Ser nascido da virgem Maria será chamado Filho de Deus. A morte também é uma característica humana e nunca uma característica da natureza divina. Contudo, não foi simplesmente a natureza humana de Jesus que morreu, mas foi Jesus - o Deus/homem. Por isso Paulo pode falar da crucificação do "glorioso Senhor" (1 Coríntios 2:8). Por outro lado, é uma característica da natureza divina ter todo o poder. Não foi só a natureza divina que atuou quando Jesus curou os enfermos, fez os cegos enxergarem, fez os surdos escutarem. Era a pessoa de Jesus, o Deus/homem, que fazia os milagres. A Escritura sempre fala dEle como uma única pessoa que pode fazer coisas que eram características da natureza humana ou da sua natureza divina. Mas sempre fazia todas as coisas como aquela única pessoa divino-humana.
          A natureza divina de Jesus tornou possível a ele ultrapassar portas fechadas mas, sem dúvida, foi o Deus/homem, e este inclui a natureza humana, quem apareceu a seus discípulos na tarde do dia da ressurreição. Jesus disse para Tomé que o tocasse para que tivesse certeza de que realmente era Ele mesmo. Foi o Deus/homem quem foi levado visivelmente dentre os discípulos no dia da Ascensão. E será este mesmo Deus/homem que voltará visivelmente no dia final.
          Então em Jesus Cristo a natureza divina e humana são singular e misteriosamente unidas numa só pessoa. O Filho que era com o Pai desde a eternidade, tomou em si uma verdadeira e completa natureza humana. As duas naturezas estão sempre unidas. Elas compartilham suas características uma com a outra, mas, contudo a divina permanece divina e a humana igualmente humana. Em outras palavras, Jesus como o Deus/homem, não foi nem meio Deus nem tampouco meio homem e nem um tipo de semideus, mas possui a plenitude de Deus e ao mesmo tempo possui uma completa e verdadeira natureza humana. Quem pode compreender este mistério? "O mistério da nossa religião é muito grande. Esse mistério é o seguinte: Ele apareceu como ser humano" (l Timóteo 3:16).
                    Jesus se humilhou
          Alguns aspectos dos relatos da Escritura a respeito de Jesus - o Deus/homem - quando viveu na terra, são enigmáticos. Por um lado, Ele clamou para si mesmo igual honra que é devido a Deus e disse: "A fim de que todos respeitem o Filho, assim como respeitam o Pai. Quem não respeita o Filho também não respeita o Pai, que o enviou" (João 5:23). Contudo, Ele pegou uma toalha e humildemente lavou os pés dos discípulos, desempenhando uma das tarefas reservadas para o mais humilde dos servos. Por outro lado, Jesus manifestou sua sabedoria divina. "Não era preciso que ninguém lhe falasse sobre qualquer pessoa, pois ele mesmo sabia o que cada um deles pensava" ( João 2:25). Com sua onisciência divina conhecia os pensamentos dos homens. Quando falava sobre o final do mundo, disse que "o dia e a hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai" (Mateus 24:36). Ele foi capaz de ordenar a Lázaro, que estava morto há quatro dias, que saísse vivo do sepulcro. Mas Ele mesmo foi crucificado e aparentemente tão indefeso frente à sua própria morte que seus inimigos zombavam dEle dizendo: "Ele salvou os outros, mas não pode salvar a si mesmo! "(Mateus 27:42).
          Estas narrações no Evangelho parecem paradoxalmente estranhas na vida de Cristo. E continuam sendo até que a pessoa reflita cuidadosamente no que se fala de Jesus Cristo na Epístola do apóstolo Paulo aos Filipenses (Filipenses 2:6-8). Paulo anima os cristãos a terem a humildade que Jesus tinha e logo descreve seu estado de humilhação. Ele "sempre teve a mesma natureza de Deus, mas não insistiu ser igual a Deus" (Filipenses 2:6). Esta cláusula é difícil de entender sem avaliar seu significado através do original grego. No sentido original pode entender-se assim: "Ele não considerou o ser igual a Deus um prêmio, galardão ou troféu para ser exibido." Assim, Jesus - o Deus/homem - possuía a forma de Deus e era igual a Deus. O poder, a sabedoria, a glória e a honra de Deus foram em cada aspecto dele. Ele não considerou a
igualdade com Deus um prêmio ou um galardão que deve segurar e ostentar.
          Em lugar disso, "pela sua própria vontade, abandonou tudo o que tinha e tomou a natureza de servo" (Filipenses 2:7). Jesus colocou ao lado o uso contínuo e manifestação da sua 'forma de Deus' e preferiu se mostrar aos homens na forma de servo. Escolheu servir, em vez de ser servido. Preferiu se entregar nas mãos de Pôncio Pilatos antes de chamar as doze legiões de anjos que estavam à sua disposição, como o Filho de Deus. Ele, que era vida, escolheu humilhar-se e "andando nos caminhos da obediência até a morte - e morte na cruz"(Filipenses 2:8). Verdadei- ramente, Jesus sendo o Deus imutável - o que é o mesmo ontem, hoje e sempre - em todo o tempo possuiu toda a plenitude da Divindade. Mas Ele assumiu uma natureza humana para o propósito da sua auto-humilhação. De acordo com sua natureza humana Ele podia sofrer fome e sede, crescer em sabedoria, sofrer do cansaço, dor e até da morte. Assumiu a natureza humana para humilhar-se até a morte e alcançar assim seu objetivo de salvar o homem. A carta aos Hebreus diz claramente: "Os filhos, como ele os chama, são pessoas de carne e sangue. E por isso o próprio Jesus se tornou como ele e participou da natureza humana deles. E fez isso para que, por meio da sua morte, pudesse destruir o Diabo, que tem poder sobre a morte. E também para libertar os que a vida toda foram escravos por causa do medo da morte" (Hebreus 2: 14-15).
                    Jesus foi exaltado
          Que diferente é o quadro de Jesus que os Evangelhos nos apresenta depois da sua ressurreição! Ele já não tinha mais fome, nem sede, nem cansaço. Atravessou sem dificuldades algumas portas trancadas. Misteriosamente aparecia e desaparecia. Agora Ele proclamou: "Recebi todo o poder no céu e na terra" (Mateus 28:18). Seus discípulos observavam como o seu corpo foi levantado desde a terra. Ele foi recebido nos céus. A Escritura fala do poder que Deus mostrou com força extraordinária quando ressuscitou Cristo e o colocou ao seu lado direito no mundo celestial. Cristo reina sobre todos os governos celestiais, autoridades, forças e poderes. Ele está acima de todas as autoridades que existem neste mundo e no mundo que há de vir. Deus fez que Cristo dominasse todas as coisas e deu o próprio Cristo à Igreja, como o único
Senhor de tudo" (Efésios 1:20-22). Também, segundo a sua natureza humana, Jesus penetrou no uso pleno de poder e da majestade que eram seus como Deus, desde toda a eternidade. Quando Jesus foi humilhado, haviam muitos que negavam a sua divindade. Com efeito, já que Ele poucas vezes mostrou sua majestade divina, muitos não viram nEle nada mais do que um simples homem. Os judeus recusaram acreditar no testemunho de Jesus sobre sua divindade, vendo nEle um mero homem. Portanto, decidiram que este homem deveria morrer porque afirma que é o Filho de Deus. (João 19:7).
          Agora Jesus não está no seu estado de humilhação. Paulo escreve: "Por isso Deus lhe deu a mais alta honra e o nome que é superior a qualquer outro nome" (Filipenses 2:9). Mas, não há muitos que ainda negam em reconhecê-lo como o nome que é superior de todo homem? Quantos recusam o Senhor exaltado! Mas quando Ele se apresentar visivelmente no seu retomo, quando todos os homens o virem na plenitude de sua glória e majestade, então as palavras de Paulo se encontrarão plenamente cumpridas: "E assim, em homenagem a Jesus, todos no céu, na terra e no mundo dos mortos cairão de joelhos e anunciarão publicamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai" (Filipenses 2:10-11).
                    6 - A REDENÇÃO
"Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar quem está perdido" (Lucas 19: 10). Nesta simples e breve frase, Jesus, o Filho de Deus, revelou o propósito da sua vinda ao mundo como humano. Veio efetuar a salvação do homem perdido pelo pecado. Veio, como afirma a Escritura, reconciliar o mundo com Deus(ver 2 Coríntios 5: 19). Outro termo empregado para definir a obra de Jesus é expiação" Veio fazer a união do homem com Deus, ou seja reconciliá-lo. Talvez o termo mais comum para descrever a sua obra seja “redenção”. Jesus veio ao mundo para dar-se em resgate e livrar o homem do castigo da Lei; numa palavra; veio redimi-lo.
          Foi com esse propósito que o Pai enviou a seu Filho para que assumisse a natureza humana no ventre de Maria. Jesus com santa obediência se comprometeu em fazer a vontade salvadora do Pai. "Pois desci do céu", como disse, "para fazer a vontade daquele que me enviou e não a minha própria vontade" (João 6:38). Voluntário e complacente Ele se humilhou e foi obediente até a morte, "e morte na cruz" (Filipenses 2:8).
                    Jesus, o substituto do homem
          Em cada um dos atos de obediência para com o Pai, Jesus atuou como substituto de toda a humanidade. Por esta razão, diz-se que a obra de Jesus י vicária, já que Ele atuou como vicário, ou substituto, do homem. Assim que o pecado cometido por Adão afetou toda a raça humana, a obediência de Jesus afetou o bem estar do homem. Paulo escreve aos Romanos, dizendo-lhes: "E assim como os seres humanos se tornaram pecadores por causa da desobediência de um só homem, assim também serão aceitos por Deus por causa da obediência de um só homem" (Romanos 5: 19). Esta mesma ideia de substituição foi expressa pelo sumo-sacerdote Caifás, falando por profecia sem dar-se conta do que realmente falava, proclamou, segundo João: "Para vocês é melhor que morra apenas um homem pelo povo do que deixar que o povo todo seja destruído"(João 11:50). Um substituindo muitos, toda a humanidade; desta forma cumpriu-se a expiação vicária efetuada por Jesus - o Deus/homem. Como um verdadeiro homem Ele pode tomar o lugar do homem, e como o Santo Deus pode fazer pelo homem o que o homem mesmo nunca teria sido capaz de fazer: expiar os pecados do mundo inteiro.
                      Jesus cumpriu a Lei
          O que Jesus fez pelo homem sendo seu substituto, em obediência ao Pai, tem duplo aspecto. O primeiro se refere ao cumprimento da Lei divina. A santidade de Deus exigia do homem uma obediência perfeita à sua Lei, a santa vontade divina. Até uma só transgressão desta vontade divina faz do homem um pecador, e não poderia ser tolerado. Deus exigia completa obediência e santidade absoluta. Nada menos era suficiente. Mas isto é impossível ao homem.  Impossível para todos os homens exceto para um, o único homem que nasceu sem o pecado original: o Deus/homem. Jesus Cristo. Quando se cumpriu o tempo, "Deus enviou o seu próprio Filho. Ele veio como filho de mãe humana"(Gálatas 4:4). Este Deus homem pôs-se debaixo da Lei. Por quê? Como verdadeiro Deus ele estava acima da Lei. Ele é o autor e Senhor dela. Mas viveu "debaixo da Lei dos judeus para libertar os que estavam debaixo da Lei, a fim de podermos nos tornar filhos de Deus" (Gálatas 4:4-5). Assim ,Jesus submeteu-se á lei e a guardou perfeitamente, como só ele pode fazer. Não a cumpriu para o seu próprio bem, mas para redimir o homem; para livrá-la, porque o homem que estava debaixo da lei, era incapaz de cumpri-la. Isto Paulo enfatiza quando escreve: "Portanto, assim como o pecado condenou todos os seres humanos, assim também um ato de salvação libertou todos e lhes deu vida. E assim como os seres humanos se tornaram pecadores por causa da desobediência de um só homem, assim também serão aceitos por Deus por causa da obediência de um só homem"(Romanos 5:19). Cristo Santo, atuando como substituto do homem pecador, cumpriu plenamente a Lei divina e
lhe é contado como justiça diante de Deus.
                    Jesus pagou a dívida
          Devemos fixar nossa atenção em outro aspecto, a saber que Jesus em plena obediência ao Pai, substituiu o pecado. Isso aplica ao homem, sua transgressão, culpa e castigo. Na verdade o homem não pode cumprir a Lei divina perfeitamente, nem o faz. Deus havia falado: "A pessoa que pecar é que morrerá"(Ezequiel18:4). Não resta a menor dúvida que "o salário do pecado é a morte"(Romanos 6:23). A morte, portanto, é o castigo pelo pecado que o homem tem trazido para si. No pagamento deste castigo, Jesus santo e Justo substituiu o homem pecador. Neste caso, Ele fez o que o homem não poderia fazer. Para ilustrar isso, vamos ver um exemplo: Fulano ao conduzir o carro de seu pai, atravessou um cruzamento quando o sinal estava fechado e bateu num outro carro, deixando duas vítimas feridas. Foi declarado culpado pelo juiz. O castigo foi dois mil reais ou dez dias na cadeia. Fulano não pôde pagar a multa para sair da prisão. Então seu pai deu essa quantidade por ele e assim Fulano foi posto em liberdade. De certo modo, esta ilustração mostra o que Jesus fez pelo homem. Como Substituto, Ele pagou o castigo do pecado que era a morte. Paulo escreve: "Cristo nos amou e deu sua vida por nós, como oferta de perfume agradável e como sacrifício que agrada a Deus"(Efésios 5:2). Jesus Cristo mesmo disse que Ele tinha vindo para dar a sua vida em resgate pelo pecador. Verdadeiramente: "Uma vez por todas ele morreu pelos pecados; um homem bom pelos maus, para nos levar a Deus"(l Pedra 3:18).
          Mas Jesus fez muito mais do que pagar urna multa pela nossa culpa. Ele assumiu a nossa culpa. De fato, o pecado foi colocado sobre Ele. Isaías na sua profecia resume isto de maneira maravilhosa, dizendo: "Porém ele estava sofrendo por causa dos nossos pecados, estava sendo castigado por causa das nossas maldades"(Isaías 53:5). "Porém Cristo, tornando-se maldição por nós, nos livrou da maldição imposta pela Lei"(Gálatas 3:13). Tendo assumido a culpa do homem, pagou o preço total, ou seja, a morte maldita na cruz.
          Paulo resume estes dois aspectos da substituição de Jesus quando escreve: "Em Cristo não havia pecado. Mas Deus colocou sobre Cristo a culpa dos nossos pecados para que nós, em união com ele, tenhamos a vida santa que Deus quer" (2 Coríntios 5:21). O pecado do homem foi colocado em Cristo, o justo; a justiça de Jesus Cristo é dada como crédito ao homem pecador como se fosse sua própria justiça. Que troca maravilhosa! Que bendita substituição!
                    A redenção é completa
          Esta obra redentora de Jesus é perfeita e completa em todo o aspecto. Por quantos pecados dos homens Jesus morreu? A resposta a esta pergunta é: por todos os pecados. Se a pergunta é: Por quem Jesus deu a vida? A resposta é: por todos os homens. Por quanto tempo a redenção é efetiva? A resposta é: para sempre. O único sacrifício de Jesus ganhou a redenção dos pecados de todos os homens, para sempre. É isto o que as Escrituras ensinam a respeito: "Assim também Cristo foi oferecido uma só vez em sacrifício, para tirar os pecados de muitas pessoas"(Hebreus 9:28). "Ele não deixou de entregar nem o seu próprio Filho, mas o ofereceu por todos nós!"(Romanos 8:32). "Deus não leva em conta os pecados dos seres humanos e, por meio de Cristo, ele está fazendo que eles sejam seus amigos"(2 Coríntios 5: 19). "E, porque Jesus Cristo fez o que Deus quis, nós somos purificados do pecado pela oferta que ele fez, uma vez por todas, do seu próprio corpo" (Hebreus I O: 10). "Jesus Cristo ofereceu só um sacrifício, uma oferta que vale para sempre, e depois sentou-se ao lado direito de Deus ... Assim, com um sacrifício só, ele tomou perfeitos para sempre os que são purificados do pecado"(Hebreus 10:12,14). A Escritura está saturada de evidências da verdade da proclamação de Jesus sobre a sua obra redentora: "Tudo está completado! "(João 19:30).
                    Jesus, o Sumo-sacerdote
          Ao sacrificar-se pelo homem, Jesus desempenhou a função do grande Sumo-sacerdote. Outra função de um sacerdote é a de interceder diante de Deus da parte do povo.
          O grande sacerdócio de Jesus estende-se também ao rogar por nós. Quando Jesus retomou a seu Pai, "Ele entrou no próprio céu, onde agora aparece na presença de Deus para pedir em nosso favor" (Hebreus 9:24). Paulo também escreve sobre isto quando diz: "Ele pede a Deus em nosso favor" (Romanos 8:34). João assegura: "Se alguém pecar, temos Jesus Cristo, que não tem nenhuma culpa; ele nos defende diante do Pai" (João 2:I). De acordo com a Escritura., Jesus desempenha não só o papel de sacerdote, que sacrifica e intercede, mas que atua como profeta e rei.
                    Jesus, o profeta
          Falando através de Moisés, Deus tinha prometido a Israel: "Do meio do povo Deus escolherá para vocês um profeta que será parecido comigo, e vocês vão lhe obedecer"(Deuteronômio 18: 15). O Espírito de Deus o Senhor veio sobre Jesus de tal maneira que aplicou a si mesmo a profecia de Isaías: "O Senhor Eterno me deu o seu Espírito, pois ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres. Ele me enviou para animar os aflitos, para anunciar a libertação aos escravos e a liberdade para os que estão na prisão. Ele me enviou para anunciar que chegou o tempo em que o Eterno salvará o seu povo, que chegou o dia em que nosso Deus se vingará dos seus inimigos. Ele me enviou para consolar os que choram " (Isaías 61: 1-2). Como profeta, Jesus foi enviado para pregar o Evangelho, o qual o estabeleceu por meio do seu sacrifício.
          Jesus foi enviado "para falar da verdade (João 18:37). Fielmente cumpriu seu sacrifício profético. Em oração ao seu Pai Celestial, Jesus podia dizer: "Eu lhes dei a tua mensagem, mas o mundo ficou com ódio deles porque eles não são do mundo, como eu também não sou ... Eu fiz que eles te conheçam" (João 17: 14,26).
          É importante para o homem escutar as palavras deste grande profeta enviado dos céus. Ele veio com a "luz verdadeira, a luz que veio ao mundo e ilumina todas as pessoas"(João 1:9). Ele veio como o Bom Pastor, cujas ovelhas lhe escutarão e reconhecerão a sua voz. A elas lhes dará a vida eterna (João 10:28). Sua palavra foi prometida para esclarecer ao homem o caminho da vida eterna. Jesus disse: "Quem me segue terá a luz da vida e nunca andará na escuridão"(João
8:12).
          Jesus continua pregando, continua sendo o grande Profeta para o homem. Ainda que a sua palavra não seja mais ouvida diretamente dos seus lábios, ele ordenou a seus discípulos: "Vão pelo mundo inteiro e anuncie a Boa-Noticia do Evangelho a todas as pessoas" (Marcos 16:15). E lhes disse: "Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês" (João 20:21). Jesus continua pregando atualmente. A Escritura diz que o Senhor Jesus que subiu aos céus, é aquele que deu dons às pessoas. Escolheu "alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros para pastores e mestres da Igreja. Ele fez isso para preparar o povo de Deus para o serviço cristão, a fim de construir o corpo de Cristo" (Efésios 4:11-12). Deste modo, o Senhor Jesus segue sendo o profeta para todos os homens ao enviar os seus seguidores ao mundo com seu Evangelho. Ele estabeleceu o ministério da reconciliação. Ele envia seus
embaixadores com a imploração: "Em Cristo não havia pecado. Mas Deus colocou sobre Cristo a culpa dos nossos pecados para que nós, em união com ele, tenhamos a vida santa que Deus quer" (2 Coríntios 5:21).
                    Jesus, o rei
          As Escrituras também falam de Jesus como o rei. Quando Pilatos perguntou a Jesus: 'Logo, tu és rei.' Jesus teve que explicar para Pilatos: "O meu Reino não é deste mundo"(João 18:36). O reino de Cristo não consiste numa certa região geográfica. Seu domínio não era terrestre. Quando as Escrituras falam de Jesus como rei, isso se refere a sua função de rei ou Senhor. O reino de Jesus consiste em que Ele reine, como um rei faz. Quando o nascimento de Jesus foi anunciado à Virgem Maria, o anjo lhe disse que o seu Filho iria sentar no trono de Davi e "será para sempre rei dos descendentes de Jacó, e o Reino dele nunca se acabará" (Lucas 1 :33). Sim! Jesus é rei. Ele reina e governa.
          Jesus reina com poder. "Recebi todo o poder no céu e na terra" (Mateus 28:18). Ainda que Jesus, como verdadeiro Deus, possua todo o poder desde a eternidade, Ele podia dizer que o poder lhe tinha sido dado, porque lhe foi dado como um verdadeiro homem. Então Ele é o Deus/homem que tem o poder e reina com poder. Ele é o Senhor de tudo. Nada acontece sem o seu conhecimento ou autorização. Tem o domínio supremo sobre todas as criaturas e faz com que as coisas trabalhem "para o bem daqueles que o amam" (Romanos 8:28). Isto se chama com frequência o reino de poder de Jesus.
          Quando Jesus se declarou rei diante de Pilatos, disse: "Foi para falar da verdade que eu nasci e vim ao mundo. Quem crê na verdade ouve a minha voz "(João 18:37). A verdade que Jesus veio pregar é o Evangelho do perdão. Jesus leva o seu reino aos corações humanos quando eles, pela fé, recebem esta verdade. Isto se chama o reino da graça e inclui todos os cristãos. Por ser parte deste reino, cada cristão recebe as abundantes bênçãos e dádivas de Jesus.
          Tendo subido à direita de seu Pai, Jesus prometeu retomar sentado "no seu trono real" (Mateus 25:31). Àqueles ao seu lado direito, que lhe tem seguido por fé, Ele dirá: "Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que, desde a criação do mundo, foi preparado pelo meu Pai" (Mateus 25:34). Ali eles contemplarão a glória que o Pai havia dado a Jesus desde a eternidade (ver João 17:24). Todos aqueles que agora se alegram na graça de Deus, estarão na eternidade adorando e louvando a Jesus. Serão glorificados por Ele e eles o glorificarão pelos séculos sem fim. Quando Jesus reinar em glória sobre todos os que Ele tem comprado e ganho como seus, então a redenção terá alcançado seu cumprimento perfeito e total.
                     7 - A FÉ
          Jesus Cristo morreu por todos. NEle, Deus justificou a todos os pecadores. Paulo proclama que "assim também um só ato de salvação libertou todos e lhes deu a vida" (Romanos 5:18). O que isso significa?
          Cada homem que está na presença de Deus tem que prestar contas de tudo o que faz. Um juízo é pronunciado sobre ele e, ou é culpado ou inocente, declarado justo e absolvido. Mas o homem, sendo pecador, certamente é culpado; não merece nada a não ser o veredicto da condenação. Mas, Cristo, o substituto do homem, removeu o seu pecado. Este pecado que só podia resultar na condenação, foi tirado. Em seu lugar, Jesus o único perfeito, santo e justo homem, apresenta a Deus sua justiça e pede que o homem seja julgado de acordo com ela. Deus, vendo somente a justiça de Jesus, declara o homem justo; o homem foi absolvido. Outra forma de dizê-lo é que Deus justificou o homem. Por que Deus fez Isso? Não fez por nenhuma contribuição humana. Isto é completamente uma dádiva da graça divina.
                    Expiação Universal
          A Epístola aos Romanos na sua passagem em Romanos 5:18 pode ser traduzi da e explicada da seguinte maneira: Em base da completa santidade e justiça de um homem Jesus Cristo, substituindo toda a humanidade, Deus deu como dádiva da sua graça a justificação a todos os homens, isto é, declarou-os santos e justos. Como resultado lhes há dado vida.
          Tendo em vista que isso é algo que tomou lugar através da vida, morte e ressurreição de Jesus, e que é uma realidade objetiva, pode falar-se dela como a justificação objetiva ou a expiação universal.
          Salvação pessoal pela fé
          No item anterior significa que existe uma salvação universal? A Escritura declara que em Cristo, Deus reconciliou-se com toda a humanidade. Então ensina que todos serão salvos? Não, de maneira alguma! Jesus disse: "Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado" (Marcos 16:16). É através da fé que os benefícios da redenção universal são recebidos pelo indivíduo e apropriados por ele, e por meio da incredulidade, os benefícios da redenção universal se perdem no indivíduo. A Escritura repetidamente afirma que o homem é salvo, ou justificado pela fé. "Viverá aquele que, por meio da fé, é aceito por Deus" (Romanos 1: 17). Isto se-refere pessoalmente a cada indivíduo.
                    A Natureza da Fé
          É na fé que está a diferença entre a salvação e a condenação do indivíduo. Então, a fé é a contribuição do homem para a sua salvação? Somente alguém que não queira escutar o que Deus diz sobre a natureza da fé, chegará a esta conclusão. A fé pressupõe conhecimento e afirmação. Paulo faz a pergunta: "Como poderão crer, se não ouvirem a mensagem?" (Romanos 10:14). Antes que a pessoa creia em algo, reconhece primeiro que o que tem ouvido é verdadeiro. Entretanto, o simples fato de ouvir, conhecer e afirmar alguma coisa não é a fé salvadora. A fé não é um assunto mental ou um processo intelectual. O demônio conhece a Deus e reconhece que Jesus é o Salvador. Tiago escreve: "Você crê que há somente um Deus? Ótimo! Os demônios também creem e tremem de medo"(Tiago 2:19). A fé salvadora consiste em algo mais que um mero reconheci-mento; e mais que afirmação da verdade; envolve algo mais que a mente.
          A fé tem a ver com o interior do homem, com o seu coração. Paulo disse: "Porque cremos com o nosso coração" (Romanos 10:10). Nas Escrituras temos um grande exemplo de fé em Abraão. Paulo diz: "Mas, mesmo quando ele pensou a respeito do seu corpo que já estava quase morto ou quando lembrou que Sara não, podia ter filhos, a sua fé não enfraqueceu. Abraão não perdeu a fé nem duvidou da promessa de Deus. A sua fé o encheu de poder, e ele louvou a Deus porque tinha toda a certeza de que Deus podia fazer o que havia prometido" (Romanos 4:19-21). Isto é fé. O coração é convencido de que Deus fará o que diz. A fé é a confiança plena nas promessas de Deus. "A fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não vemos" (Hebreus 11:1).
                    O papel da fé
          A fé é o meio pelo qual o indivíduo participa das promessas do Evangelho. A fé não diz somente: "Jesus morreu na cruz pelos pecados dos homens", mas confia: "Jesus morreu por mim". A fé não diz somente: "Há um Deus, um céu e um Salvador", mas diz: 'O Senhor é o meu Deus que preparou o céu para mim e eu tenho essa bênção através de Jesus Cristo meu Salvador". A fé pode ser comparada a uma mão que recebe. A mão é o meio pela qual se pega um presente. O ato da mão pegar o presente não quer dizer que mereça. A mão é o meio pela qual se recebe tal. Assim acontece com a fé. Não é um mérito do homem nem merecimento da salvação, mas simplesmente é o meio pelo qual as promessas do Evangelho são apropriadas.
                    Pela graça
          O que se recebe  pela fé, se recebe como dádiva da divina graça. A fé e a graça sempre estão juntas. Ambas se cobram em contraste com as obras. Isto se torna evidente nas seguinte passagens de Romanos: "Assim vemos que a pessoa é aceita por Deus pela fé e não por fazer o que a Lei manda" (Romanos 3:28). "A escolha é baseada na sua graça e não no que eles têm feito. Porque se a escolha de Deus fosse baseada no que as pessoas fazem, então a sua graça não seria verdadeira" (Romanos 11 :6). Isto desclassifica o argumento de que a fé é a contribuição do homem para a sua salvação. A fé não é uma obra que seja merecedora de uma recompensa;  é só a mão que recebe uma dádiva da graça.
          Mas a fé não é algo que vem do homem? Na verdade é o homem que, com o seu próprio coração, crê ou confia. Ninguém pode fazer isto por ele. Mas qual é a origem da fé?  "Ninguém pode dizer: 'Jesus é Senhor' a não ser que seja guiado pelo Espírito Santo" (1 Corintios 12:3). "Portanto, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo"(Romanos 1O: 17). Então a fé é um Dom de Deus. É algo que Deus cria no homem através dos meios da graça. Isto será estudado mais a fundo em outro capítulo.
                    Dois aspectos do arrependimento
         A Escritura usa vários termos para descrever o que Deus efetua no homem para mudá-lo de pecador a um crente justificado. Jesus diz: "Pois eu digo que assim também os anjos de Deus se alegrarão por causa de uma pessoa de má fama que se arrepende"(Lucas 15: 10). Esta mudança se chama arrependimento. Esta mudança possui dois aspectos. O primeiro י remorso ou desgosto pelos delitos cometidos. De fato, a Escritura algumas vezes usa a palavra "arrepender-se" para descrever este aspecto. Isto se percebe em Jó 42:6, onde ele diz: "Por isso estou envergonhado de tudo o que disse e me arrependo, sentado aqui no chão, num monte de cinzas." Jó mostrou um profundo remorso pelos seus delitos e se aborreceu. Os homens são chamados ao "arrepen-dimento de obras mortas " (Hebreus 6:1) e são prevenidos contra a falta de arrependimento "das coisas imorais que fizeram, dos pecados sexuais, e de outros vícios" (2 Coríntios 12:21).
          Este remorso, Deus colocou no coração dos ouvintes no dia de Pentecostes, quando Pedro lhes disse que haviam crucificado aquele que era "Senhor e Messias". "Todos ficaram muito aflitos e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos:- Irmãos, o que devemos fazer?" (Atos 2:37). Este remorso Pedro experimentou quando se deu conta que tinha negado a seu Senhor, e "foi e chorou amargamente."
          Mas o arrependimento não é só lamento ou remorso. O remorso em si é só uma preliminar e por si não tem valor para salvar. Judas se arrependeu pela sua traição. Tanto lamentou o que tinha feito que não pode conservar o dinheiro que o tentou. Jogou-o no templo e confessou: "Pequei, entregando à morte um homem inocente!" (Mateus 27:4). Mas o seu 'arrependimento' incluiu somente o aspecto do remorso. Conduziu-o ao desespero, e "foi e se enforcou" (Mateus 27:5).     
          O quadro completo do arrependimento dá a entender um segundo aspecto, a fé. Isto é o mais importante. Quando o carcereiro de Filipos estava desesperado, perguntou:  "Senhores, o que devo fazer para me salvar?" (Atos 16:30). Aqui estava a diferença entre o arrependimento de Pedro e o de Judas. Ambos se encontravam profundamente tristes pelo seu pecado. Judas chegou somente aí e se arrependeu. Pedro se fixou em Jesus com toda a fé e pela fé encontrou perdão e paz. Este é o arrependimento em seu sentido completo.
                    Conversão - Regeneração
          A Escritura emprega outros termos para designar a mudança que Deus opera no homem. Estes termos são descritivos. Algumas vezes se chama conversão. Tiago escreve: "Lembrem-se disto: quem fizer um pecador voltar do seu mal salvará da morte esse pecador e fará que muitos pecados sejam perdoados" (Tiago 5:20). Isto fala de uma completa mudança. Em vez de continuar ao norte, a pessoa faz a volta para o sul. Em vez de seguir o pecado, segue a Jesus. Esta mudança algumas vezes se chama regeneração ou renascirnento, isto é, uma mudança da morte para a vida. Quando Deus opera a fé, há uma mudança de estar espiritualmente morto e voltar a viver espiritualmente. (ver Efésios 2: 1-7).
          Todas essas expressões nos ajudam a ilustrar a mudança que Deus efetua através de sua
Palavra, quando opera no homem a fé. Não importa o termo ou a ilustração que se empregue.
Todas essas expressões falam do ato de que Deus conduz o homem a sentir remorso sobre o seu
pecado e atuar com a mão da fé no perdão, ganho por Cristo para o mundo.                
                  
                     8 – OS FRUTOS DA FÉ
          Onde há fé, há vida, vida espiritual. E a vida espiritual י ativa. A fé produz frutos. Jesus ilustra isto usando a figura da videira e seus ramos. Como os ramos estão ligados à videira, assim o cristão está unido a Cristo pela fé. Como um ramo vivente, o cristão produz frutos(João 15:5). Estes frutos são as boas obras.
                    o fruto expressa a relação
          A expressão 'fruto’ é significante. Mostra a afinidade entre o cristão e as boas obras. O bom fruto não produz a árvore boa. Igualmente, o fazer boas obras não produz o bom homem. Primeiro a árvore é feita boa, então pode produzir frutos bons. Assim o cristão, através da fé em Cristo, é purificado e justificado e como uma 'boa árvore' produzirá boas obras. Deste modo as boas obras são o fruto, sempre o resultado e nunca a causa da fé ou da justificação. Eles são o resultado inevitável da fé. Tiago diz: "Portanto, a fé é assim: se não vier acompanhada de ação, é coisa morta em si mesma"(Tiago 2: 17). Se alguém que se diz cristão não produz boas obras, na verdade ele não é um cristão. As boas obras não são opcionais para o cristão, mas são produzidas espontaneamente, porque já não está morto espiritualmente, mas voltou a viver.
                    A santificação
          Esta vida de boas obras que são frutos da fé, denomina-se a santificação do cristão. Santificar significa fazer algo santo. Algumas vezes esta expressão é utilizada para falar de tudo aquilo que Deus faz no homem, começando pela fé. Neste sentido também inclui a justificação. Mas, com maior frequência, 'santificação' se emprega para falar da vida que segue a justificação. Neste sentido, refere-se aos passos da vida cristã. Cada dia o cristão é mais santo no que faz.
          É Deus mesmo quem opera esta nova vida de santificação no cristão. "O que Deus quer de vocês é isto:  que sejam completamente dedicados a ele e livres de imoralidade" (l Tessalonicenses 4:3).  Deus - o Espírito Santo, o qual produz a fé, opera no coração do cristão e assim produz os bons frutos da fé. "Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus" (Romanos 8: 14). De fato, os cristão são admoestados: "Deixem que o Espírito de Deus dirija as suas vidas e não obedeçam aos desejos da natureza humana." (Gálatas 5:16).
          O Espírito Santo opera a santificação no cristão através da palavra de Deus. Através do Evangelho, o Espírito Santo guia o cristão à grande satisfação na misericórdia de Deus revelada em Cristo. Isto leva o cristão a uma vida de santificação. Paulo o expõe claramente: "Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer. "(Romanos 12: 1). O cristão que tem experimentado as riquezas da graça divina será motivado a viver de acordo com a vontade de Deus, como um dos seus filhos. A respeito disso, Paulo diz que a pessoa dê o seu corpo em sacrifício vivo a Deus. O Evangelho é a força que estimula para essa nova vida. Esta nova vida do cristão deve corresponder à vontade divina. O homem não pode simplesmente escolher por si mesmo as obras que ele deseja fazer para agradar a Deus. Deus diz ao homem como Ele quer que seja. E isto Ele diz na sua Lei. O Espírito Santo usa esta Lei para instruir o cristão para que não tenha intenção de servir a Deus em ignorância, com obras 'da sua própria seleção as quais, possivelmente, nem agradarão a Deus. Se um homem dissesse: 'Eu posso agradar a Deus levando uma vida de jejum', tal homem deve perguntar-se primeiro: 'Onde Deus fala isso?' Ou, se um cristão dissesse: 'Eu posso ser um bom cristão, sem ter que assistir aos cultos na igreja.' A este, a Lei de Deus diz que ele não deve desprezar a Palavra de Deus. De qualquer forma, um cristão escutará o que o Espírito Santo lhe revela como a Sua santa vontade. Esta será o guia para instruí-Io na vida cristã. O Evangelho move o cristão a realizar boas obras e lhe dá a capacidade de fazê-las. A Lei, por outro lado, instrui o cristão de tal maneira que saiba e conheça as obras que são agradáveis a Deus.
                    Adiáfora
          Contudo, Deus não diz para o homem o que ele deve fazer em todas as situações. Não diz ou sugere o candidato em quem se deve votar. Muito menos diz o que é que se deve comer nem o que se deve vestir. Também não diz como se deve aplicar a água no batismo. Não estabelece uma liturgia específica para os cultos de adoração. Há muitas coisas sobre as quais Deus não estabelece mandamentos ou proibições específicas. Tais coisas são chamadas 'adiáfora.' Nestas coisas, Deus dá a liberdade ao cristão para que atue segundo a sua própria resolução. No entanto, deve-se ter cuidado de não empregar esta liberdade cristã de tal forma que possa prejudicar ou danificar a fé do nosso próximo, ou que de alguma forma quebre algum manda-mento da Escritura.
                    Não há perfeição
          Ainda que o cristão produza o fruto de boas obras, estas nunca serão perfeitas. A santificação do cristão nunca alcança a perfeição. Paulo reconheceu isso nele mesmo. Ele queria fazer o bem, mas o mal estava sempre presente. "Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço" (Romanos 7:19). Como ele se examinou: "Dentro de mim sei que gosto da Lei de Deus. Mas vejo que uma lei diferente age no meu corpo, uma lei que luta contra aquela que a minha mente aprova. Ela me torna prisioneiro da lei do pecado que age no meu corpo" (Romanos 7:22-23). Como um filho crente em Deus, o cristão deseja fazer o que agrada a seu Pai. Mas o cristão reconhece que os maus desejos ainda os desviam para fazer o que ele não quer. Consequentemente, a vida de santificação é uma grande e constante luta entre o novo homem de fé e o velho homem de pecado.
          O cristão sabe que deve amar a Deus sobre todas as coisas. Ainda assim se dá conta que o seu coração pecaminoso deseja as riquezas deste mundo. Um cristão sabe que não deve falar mal do próximo mas, ainda assim, algumas vezes acha que é agradável ouvir e espalhar falsos rumores sobre o próximo. Um cristão sabe que deve ter um coração puro, contudo, as vezes gosta de ouvir piadas de mau gosto. Um cristão quer dar a sua contribuição à igreja como reflexo do seu amor a Deus, contudo acha que o seu orgulho pecaminoso busca a glória pelo que fez. Certamente o cristão quer fazer o que é bom, mas o pecado está sempre nele. João escreve: "Se dissermos que não temos pecados, enganamos a nós mesmos, e não há verdade em nós" (1 João 1 :8).
          Por esta razão o cristão deve examinar-se constantemente e deve arrepender-se diária-mente do mal que tem feito e de suas falhas em fazer o bem. Diariamente confessará os seus pecados e pedirá o perdão ao Senhor. Portanto, João continua: "Se confessarmos os nossos pecados a Deus, ele cumprirá a sua promessa e fará o que é justo: perdoará os nossos pecados e nos limpará de toda a maldade" (1 João 1:9). Diariamente o cristão pedirá ao Senhor que o fortaleça na sua luta à santidade de vida.
                    A justiça cívica
          Uma pergunta aparece: por acaso o incrédulo não pode fazer boas obras? Os incrédulos podem realizar aquelas obras que exteriormente parecem boas, mas sendo incrédulos, não podem produzir as obras que são frutos da fé.
          Quando um incrédulo ajuda o seu vizinho doente, isto é, aparentemente uma boa obra. Exteriormente parece o mesmo que a ajuda que o cristão pode oferecer.
          A contribuição de caridade de um incrédulo também parece ser uma boa obra, como a dádiva de um cristão. O incrédulo pode mostrar respeito para a lei e observar a velocidade máxima. Também respeita a propriedade do vizinho. Estas são chamadas obras da justiça cívica.
          Estas obras são úteis para a vida atual. Permitem ao homem viver em harmonia numa comunidade e numa nação. Estas obras até podem resultar em bênção para o mundo. O homem que leva uma vida correta pode ter uma saúde melhor do que aquele que bebe em excesso. A justiça Cívica pode ter as suas compensações para quem a faz nesta vida.
          As obras da justiça cívica, contudo, não são em si obras diante dos olhos de Deus. As obras que não são feitas por fé não são agradáveis aos olhos de Deus porque "sem fé ninguém pode agradar a Deus" (Hebreus 11:6). Exteriormente as obras podem parecer boas, mas se são feitas com motivos egoístas, quer dizer, para ganhar alguma coisa e, ou para escapar do castigo e, ou para satisfazer o próprio orgulho, elas não são boas diante de Deus. Estes tem sido chamados'vícios reluzentes'. Estas não são frutos da fé.
          Logo, existem diferenças entre a justiça Cívica de um incrédulo e as boas obras que são frutos da fé do cristão. Ainda que não sejam diferentes na sua aparência externa, o são quanto às
causas que as motivam. Também são diferentes na forma em que Deus as recebe.
          Um cristão orará a Deus para que lhe dê força para que sua vida inteira demonstre maior
evidência da fé que está no seu coração. Orará para que o dito por Paulo também seja uma
realidade para ele: "Mas agora vocês foram libertados do pecado e são escravos de Deus. Por
isso a vida de vocês está completamente dedicada a ele, e como resultado terão a vida eterna" (Romanos 6:22).

                    9 – A ORAÇÃO
           O cristão ora. Tão logo quando Saulo foi convertido no caminho para Damasco, começou a orar. Deus citou 'com evidência de que agora ele' era crente. Quando mandou Ananias ir ao encontro de Saulo, assegurou-lhe: "Ele está orando"(Atos 9: 11). Um cristão pode orar, porque através da fé em Jesus, chegou a ser um filho de Deus. Como filho de Deus, ele sabe que pode aproximar-se do Pai Celestial com toda a confiança. Ele sabe que pela morte de Jesus, uma ponte apareceu sobre o abismo do pecado, que o separava de Deus. Assim, ele se aproximará de Deus sempre através da fé em Jesus; e o fará com segurança(João 16:23). O Espírito Santo o move a tal oração, como Paulo escreve: "E, para mostrar que somos seus filhos, Deus mandou o Espírito do seu Filho aos nossos corações, o Espírito que exclama: 'Pai, meu Pai'! "(Gálatas 4:6). A oração deve ser dirigida sempre ao único e verdadeiro Deus, revelado nas Escrituras, o Deus Trino. Jesus disse: "Adore o Senhor, o seu Deus e sirva somente a ele" (Mateus 4: 10). Os pagãos também podiam orar a seus deuses. Os profetas de Baal persistiam em suas orações a Baal, desde a manhã até o sacrifício da tarde(1 Reis 18:26-29). Mas esta era uma falsa oração; era pecado, pois não estava dirigida ao único Deus vivo. Por esta razão, nenhuma oração deve ser dirigida a alguma das criaturas de Deus. Não se deve orar, nem aos santos, nem aos anjos. Quando João se prostrou diante do anjo que lhe mostrou as revelações divinas, o anjo lhe disse: ''Não faça isso!' Pois eu sou servo de Deus, assim como vocês são e os Seus irmãos, os profetas, e todos os que obedecem as palavras deste livro. Adore a Deus!"(Apocalipse 22:9). A oração י uma forma de adoração. Orar a alguém que não seja o Deus Trino י idolatria.
                    A natureza da oração
          Na oração o cristão se comunica com Deus. As orações podem ser dirigidas a Deus mediante palavras pronunciadas. Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos tal comunicação nas palavras do Pai Nosso (Mateus 6:9-13). Um cristão pode empregar as palavras de um texto memorizado de um manuscrito. Ou também as palavras podem ser livremente escolhidas no momento da oração. Estêvão não havia preparado com antecedência as palavras da oração que ele fez quando foi apedrejado (Atos 7:59-60). Espontaneamente os seus lábios encontraram as palavras precisas para expressar a petição do seu coração.
           No entanto, a oração não se limita a palavras pronunciadas. Paulo escreve: "Não sabemos como devemos orar, mas o Espírito de Deus, com gemidos que as palavras não podem explicar, pede a Deus em nosso favor"(Romanos 8:26).
          É  possível que o homem não saiba expressar os mais profundos desejos de seu coração. É ֹ possível que os seus lábios não possam achar as palavras para dizer o que sente dentro da alma. O Espírito Santo que mora no coração e conhece cada um dos pensamentos do homem (Salmo139: 1-2), escuta não somente as palavras faladas, mas também os pensamentos e os gemidos do coração. Através de Isaias, ele dá a segurança: "Antes mesmo que me chamem, eu os atendarei; antes mesmo de acabarem de falar, eu responderei"(Isaías 65:24). "Orem sempre", Paulo escreve aos tessalonicenses.
          Existem mosteiros nos quais tratavam de cumprir este mandamento tendo os monges orando em turnos, de tal forma que a oração fosse contínua todo o tempo, dia e noite. Isto se aproxima muito vagarosamente do significado que Paulo deu às ditas palavras. O melhor é a vida inteira do cristão sendo uma vida de oração, fluindo da fé. O cristão se entrega nas mãos de Deus, em tudo o que faz, diz e pensa, seja ao estar acordado ou dormindo. Ele olha a Deus em todos os momentos, em cada necessidade, em cada bênção. Ele recebe todas as coisas de Deus com um coração agradecido.
                    O conteúdo da oração
          É evidente que o cristão agradecerá a Deus por todas as bênçãos que recebeu! O salmista convida: "entrem pelos portões do templo com agradecimentos, entrem nos seus pátios com louvor! Louvem a Deus e sejam agradecidos a ele! " (Salmo 100:4). De forma similar, Paulo faz um convite aos cristãos para adorarem a Deus quando ele fala: "Agradeçam sempre a Deus, o Pai, todas as coisas, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo" (Efésios 5:20). Por outro lado, quando o Senhor convida o cristão: "Se me chamarem no dia da aflição, eu os livrarei" (Salmo 50: 15)., isto é um convite para pedir a Deus por nossas necessidades. E para que acalme os nosso temores e ansiedades, as Escrituras dizem: "Não se preocupem com nada, mas em todas as orações peçam a Deus o que vocês precisam e sempre orem com o coração agradecido"(Filipenses 4:6).
          O Senhor quer que os cristãos o invoquem e que o façam em todas as coisas, pequenas ou grandes, temporais ou espirituais, para si mesmo e para seus semelhantes. De fato, Jesus ordena aos cristãos: "Orem pelos que perseguem vocês"(Mateus 5:44).
          O cristão deve rogar a Deus pelo seu governo. "Em primeiro lugar peço que sejam feitas orações, pedidos, súplicas e ações de graça a Deus por todos. Orem pelos reis e por todos que têm autoridade, para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com todo o respeito a Deus e agindo corretamente'{l Timóteo 2: 1-2).
          Deus chama os israelitas presos na Babilônia: "Trabalhem para o bem da cidade para onde eu os mandei como prisioneiros. Orem a mim, pedindo em favor dela, pois, se ela estiver bem, vocês também estarão"(Jeremias 29:7). O cristão deve lembrar nas suas orações não somente o governo que ele tem escolhido livremente, mas qualquer poder que governe sobre ele.
          Os cristãos orarão especialmente pelo êxito da pregação do Evangelho. Paulo lembra aos Efésios para orarem sempre "pelo povo de Deus. E orem também por mim, a fim de que Deus me dê a mensagem para que, quando eu falar, fale com coragem e tome conhecido o segredo de evangelho"(Efésios 6: 18-19). Ele disse algo parecido aos tessalonicenses: "Finalmente, irmãos, orem por nós para que a mensagem do Senhor se espalhe rapidamente e seja bem recebida, como aconteceu entre vocês"(2 Tessalonicenses 3:1). Como é importante que os cristãos orem pelas missões!
          Um estudo da oração do Senhor mostrará o conteúdo amplo de uma oração cristã. Revelará também a necessidade de levantar nossos olhos ao Pai Celestial, particularmente para as bênçãos espirituais. É significativo que somente uma das sete petições do Pai Nosso se concentre nas necessidades físicas do homem.
                    O poder da oração
          Através da oração, Deus colocou nas mãos do homem um grande poder. Deus se oferece a ser o servo do homem e fazer o que este lhe pede. O Deus Todo-poderosos promete: "Peçam e receberão"(Mateus 7:7). "Se crerem, receberão o que pedirem em oração" (Mateus 21 :22). Ele assegura ao cristão que "a oração de uma pessoas piedosa tem muito poder" (Tiago 5: 16).
          Contudo, o cristão lembrará que estas promessas referentes a oração serão feitas em nome de Jesus (João 14: 13), e com a confiança na oração (Tiago 1:6-7). A fé do cristão o moverá a orar como Jesus orou: "Não seja feito o que eu quero, mas o que tu queres" (Lucas 22:42). O cristão não desejará que a resposta divina à sua oração lhe danifique ou danifique os outros.
          Também as Escrituras nos advertem que não abusemos da oração. Tiago escreve: "E, quando pedem, não recebem porque pedem mal. Vocês pedem coisas para usá-las para os seus próprios
prazeres" (Tiago 4:3). Não se deve usar a oração para satisfazer os desejos carnais. Não se deve fazer da oração uma fachada de santidade para esconder motivos egoístas e interesses carnais (ler fariseus orando no templo, Lucas 18:9-14). Também não se deve usar a oração para prover um mero estímulo psicológico.
          A oração verdadeira é uma benção maravilhosa com grande poder. Um cristão orará fiel e
diligentemente.

                    10 -  OS MEIOS DA GRAÇA     
          A fé é a mão que toma a dadiva do perdão, o qual Jesus tem preparado para todo o mundo. A Fé é a confiança que recebe as promessas divinas do Evangelho. O capítulo sete deste livro já explicou o que a Escritura diz da salvação pela fé. Falta uma pergunta: Como o homem recebe esta fé salvadora, que confia nas promessas divinas, que produz bons frutos e que se toma evidente numa vida de oração? A resposta a esta pergunta se dá em dois aspectos, o positivo e o negativo. O homem não recebe a fé pela própria capacidade, mas através do Espírito Santo.
                    Não pela minha própria razão ou poder
          Creio que por minha própria razão ou força não posso crer em Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir a ele". Estas palavras introdutórias à explicação de Lutero ao terceiro artigo do Credo Apostólico, estão baseadas na escritura. Paulo escreveu aos Coríntios: "Pois a mensagem da morte de Cristo na cruz parece loucura para os que estão se perdendo"( 1 Coríntios 1: 18). Logo diz: "Mas quem não tem o Espirito de Deus não pode receber os dons que vem do próprio Espirito de Deus e de fato nem pode entende-los, Estas verdades são loucuras para ele porque o seu sentido só pode ser entendido de modo espiritual"(1 Coríntios 2:14). A reação do homem natural ao Evangelho é negativa; o chama loucura. Para a sua razão natural, o Evangelho precisa de sentido. Atualmente, muitos dizem que a pregação do Evangelho não é necessário para o homem moderno. Não há sentido para ele.
          O fato é que o homem natural sempre tem considerado a mensagem do Evangelho como uma loucura. Verdadeiramente, se dependesse da própria 'razão ou força' do homem para operar a féno Evangelho, não haveria um só crente. Mas isto é só uma resposta ligeira à pergunta: 'Como o homem recebe a fé?  E esta é somente a parte negativa da resposta.
                    Somente pelo Espirito Santo
           Há também um parte positiva. "Ninguém pode dizer: 'Jesus י Senhor', a não ser que seja guiado pelo espírito Santo" (1 Coríntios 12:3). Isto contém a porção positiva de que o espírito Santo, e somente Ele, guia o homem a dizer que Jesus é o Senhor. Os homens, confiantemente, chamam a Deus Pai, quando Deus coloca o espírito de seu Filho nos seus corações (Gálatas 4:6). Lutero também declarou positivamente, na explicação ao Terceiro Artigo: "Mas o espírito Santo me chamou pelo Evangelho". O Evangelho vem a nós, ou sob a forma da mensagem falada ou escrita, ou sob a forma de um Sacramento. Por essa razão, esses são chamados os Meios da Graça.
                    O veículo do Espírito Santo
          Como Meio da Graça, o Evangelho tem um duplo propósito. Por um lado, o Evangelho serve como veículo por meio do qual o Espírito Santo vem ao coração do homem e lhe oferece perdão e salvação. Quando Jesus ordenou que o Evangelho fosse pregado a todas as pessoas (Marcos 16:15), Ele queria que o perdão garantido pelo derramamento de seu sangue fosse oferecido aos pecadores. O Cristo ressuscitado disse aos seus discípulos: "E que, em nome dele, a mensagem sobre o arrependimento e o perdão dos pecados seria anunciada a todas as nações"(Lucas 24:47). Através do Evangelho, os homens saberão deste perdão, e lhes será dito que este perdão foi conseguido para eles.
          O Evangelho, por outro lado, serve também como um instrumento com o qual o Espírito Santo efetua uma mudança salvadora no coração, convertendo o pecador de não crente a crente. "Portanto, a fé vem por ouvir a mensagem e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo."(Romanos 10.17). João também falou que o propósito com o qual escreveu sobre Cristo era "Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida por meio dele." (João 20.31).         .
          Verdadeiramente o Evangelho é "o poder de Deus para salvar a todos os que creem: primeiro os judeus e depois os não-judeus." (Romanos 1.16). Este Evangelho alcança o homem por meio da Palavra e dos Sacramentos. Nos próximos capítulos falaremos como isto é verdade nos Sacramentos. Considerando a Palavra, é necessário notar que somente o Evangelho na Palavra, no sentido escrito, é um meio da graça. A Lei não pode produzir fé. Quem escuta somente a Lei pregada na Palavra não pode chegar a ter fé por meio dela.
          "Porque a Lei faz as pessoas saberem que são pecadoras." (Romanos 3.20). Mesmo assim, a Lei serve como uma preparação necessária para o Evangelho. Ela revela ao homem os seus pecados. Ela anuncia a ira de Deus contra todo pecado. Ela diz ao homem que o "salário do pecado é a morte" (Romanos 6.23). Mesmo que esta em si não dê fé nem a salvação, ela revela ao homem que ele é um dos perdidos que Jesus veio buscar e salvar (Lucas 19.10), e que ele mesmo é um daqueles que precisam da salvação.
          Assim mesmo, o Evangelho tem que oferecer a graça de Deus em Cristo e tem que operar a fé. Assim o Evangelho nas Escrituras, quando é pregado, lido, gravado e pensado, trabalha e fortalece a fé. No sentido escrito, este é o Meio de Graça.
                    Conseqüências Práticas
          O fato de que o Evangelho é o meio pelo qual o Espírito Santo oferece a graça divina e opera a fé, tem as suas consequências praticas. É importante para os cristãos permanecerem em contato frequente com o Evangelho. Se o cristão quer que a sua fé seja preservada e fortalecida,  ele voltará uma e outra vez ao meio pelo qual o Espírito Santo opera, ou seja, o Evangelho. Se o cabo pelo qual a eletricidade é conduzida é cortado, a luz se apagará. Assim também, se o cristão se distancia da fonte do poder espiritual, ou seja do Espirito Santo, e se rompe dos meios pelos quais o Espírito Santo opera, a luz da fé enfraquece e finalmente se apaga.
          O uso fiel dos Meios de Graça é importante para os cristãos. O fato de que o Evangelho, não a Lei como tal, seja o Meio de Graça, exige um cuidadoso reconhecimento das funções de um deles. O homem que reconhece estas funções não espera que a Lei opere nem fortaleça a fé. Não fará do Evangelho uma segunda lei, já que ela elimina o seu poder de operar a fé. O uso correto da Lei e do Evangelho, segundo a suas funções colocadas por Deus, é essencial.
          Uma compreensão correta da função dos Meios de Graça é importante também para o trabalho missionário dentro da igreja. O cristão saberá que o uso do Evangelho é importante para poder levar almas para Cristo. E por isso, com profunda preocupação, conduzirá as pessoas ao conhecimento do Evangelho. Isto também será requerido do missionário que é enviado pela igreja para outras partes do mundo. Igualmente, será lembrado por cada cristão em sua relação com os não crentes em seu ambiente cotidiano. O conhecimento de que o Evangelho, na Palavra e os Sacramentos, é o Meio da Graça dá mais urgência e força ao mandato de Jesus: "Pregue o Evangelho a todas as criaturas".

                    11 – O BATISMO
          O batismo é o Sacramento pelo qual os homens são recebidos na comunhão da Santa Igreja Cristã. Se algum ritual na igreja vai ser chamado de Sacramento, tem que ser instituído por Jesus Cristo. Jesus fez isto quando deu o mandato de ir e fizer discípulos de todas as nações, "batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mateus 28.19). Este mandato de Cristo estabelece o Batismo como um ritual que é necessário para o cristão.
          No primeiro Pentecostes os discípulos pregaram e cumpriram este mandato de Jesus de batizar. Às pessoas, cujos corações foram tocados pelo que tinham ouvido, lhes foi dito: "Arrependam-se, cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que sejam perdoados" (Atos 2.38). Três mil almas foram recebidas na comunhão de cristãos naquele dia, através do Batismo. Isto era o que Cristo tinha ordenado. Isto é o que foi cumprido. O Batismo é uma instituição de Cristo.
                                A Aplicação da água
          O Batismo é um lavamento. Um lavamento implica o uso de água. Este é o elemento externo usado no Sacramento. Na Igreja Luterana a água é derramada sobre a cabeça da pessoa que está sendo batizada. Algumas igrejas, especialmente as igrejas batistas, insistem que o Batismo tem que ser por imersão. Segundo a Bíblia, qual é o modo correto de aplicar a água no Batismo? Jesus simplesmente usou a palavra "baptizein", uma palavra grega que quer dizer "lavar". Esta palavra não implica um modo ou maneira certa de aplicar a água.· No Português, a palavra "lavar" implica o uso de água de qualquer maneira, deixando a pessoa escolher o modo de usar a água. Este significado geral da palavra pode ser visto desta maneira pelo jeito que está escrito em Marcos 7.4, onde o evangelista diz que os fariseus seguem muitas tradições, "como certa maneira. de lavar copos, jarros e vasilhas de metal”. A palavra "lavar" aqui é traduzida da palavra grega "baptizein". O lavamento de jarros ou copos dificilmente foi feito somente por total imersão. É evidente que este não é o significado da palavra "batizar". Por esta razão não se pode afirmar que somente um Batismo por total imersão faz um Batismo verdadeiro. Tal afirmação é contrária às palavras que Cristo usou quando instituiu o Sacramento. O modo de aplicar a água não foi dito.
                    Em nome do Deus Trino
          Enquanto a forma na qual deve se aplicar a água não foi dito, Jesus disse claramente que o Batismo dever ser efetuado em nome do Deus Trino, e isto é essencial para um verdadeiro Batismo, pois Jesus mesmo disse isto na instituição. Ele disse "Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". E este Deus Trino é o único e verdadeiro Deus. Um Batismo em nome de qualquer outro deus, seria um Batismo em nome de um ídolo. E este não seria um verdadeiro Batismo.
          Quando um grupo religioso que nega a Santa Trindade administra um Batismo, este não pode ser o Batismo instituído por Cristo. Isto acontece nos corpos religiosos tais como os Unitários-Universalistas, os Testemunhas de Jeová, e os Mórmons. Sua negação da Trindade mostra que em seus Batismos eles não estão administrando o Batismo instituído por Cristo. As pessoas batizadas por elas não recebem o verdadeiro Batismo.
                    Os benefícios: perdão dos pecados e salvação
          As Escrituras falam claramente a respeito dos benefícios que o Batismo dá. Jesus disse a Nicodemos que o homem tem que nascer de novo para poder entrar no reino de Deus. Mascomo acontece este novo nascimento? A resposta que Jesus deu foi: "Eu afirmo que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito" (João 3.5). O Espírito Santo opera este novo nascimento por meio da água aplicada em nome do Deus Trino no Sacramento do Batismo. Paulo, em pleno acordo com isto, descreve o Batismo: "E, por meio do Espírito Santo, ele nos purificou e nos fez nascer de novo e nos deu uma nova vida" (Tito 3.5). O Espírito Santo efetua esta regeneração pelo lavamento do Batismo. Através do Batismo o homem recebe o perdão dos pecados. Pedro disse à multidão no dia de Pentecostes: "Cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que sejam perdoados" (Atos 2.38). No tempo da sua conversão, Ananias disse a Paulo: "Levante-se, peça que o Senhor lhe ajude, seja batizado, e os seus pecados serão perdoados" (Atos 22.16).
          Resumindo os benefícios que o Batismo confere, Jesus simplesmente disse: "Quem crer e for batizado, será salvo". A salvação é a bênção conferida através do Batismo. Pedro expressa isto quando disse: "O batismo, que agora salvará vocês" ( 1 Pedro 3.21). Em todas as referências que falam sobre os benefícios do Batismo, deve-se notar que as Escrituras não dizem que o Batismo semeia somente a regeneração, o que seja meramente um símbolo do perdão e a salvação. Ao contrário, a Bíblia descreve o Batismo como o que opera a regeneração, porque este lava nossos pecados e nos salva. O Espírito Santo é dado através do Batismo, e Ele opera no coração. Por esta razão o Batismo é corretamente chamado um Meio da Graça. E não é só porque fala da graça de Deus, mas porque é um meio pelo qual a graça de Deus se faz efetiva no homem.
                    A água e a Palavra
          Mas, corno pode a aplicação de um elemento material como a água efetuar tudo isto? Lutero também se fez esta mesma pergunta no seu catecismo menor: "Como pode a água fazer coisas tão grandes?" Paulo disse que Jesus limpa a sua igreja "lavando-a com água e purificando-a com a sua palavra" (Efésios 5.26). A água simples pode lavar somente o corpo. Mas no Batismo há limpeza do pecado pela união da água com a Palavra, ou seja, com a Palavra da promessa de Cristo. Lutero diz claramente: "A água, em verdade, não faz coisas tão grandes, mas sim a Palavra de Deus, que está unida com a água." As promessas de Cristo no Evangelho, unidas ao ritual do Batismo, fazem dele um verdadeiro Meio da Graça. São salvos todos os que são batizados? Deus não obriga o homem a aceitar as suas bênçãos. O homem diz: "Eu não creio em Cristo. Ele não é o salvador dos meus pecados", e este homem não vai receber a bênção da salvação, mesmo sendo batizado. Os benefícios do Batismo vêm somente pela fé. Por um lado, Jesus disse: "Quem crer e for batizado será salvo". A fé e o Batismo estão sempre unidos. Por outro lado, Jesus também disse: "Quem não crer será condenado." A incredulidade condena a  qualquer um seja ele batizado ou não. O batismo, sem a fé, não salva.
                    O Batismo continua dando bênçãos
          Uma pessoa só pode ser batizada uma vez. Em nenhuma parte da Bíblia se fala de repetir o Batismo, nem sequer há alguma referência de narração que dê um exemplo. Quando Paulo escreve: "Com certeza vocês sabem que, quando fomos batizados para ficarmos unidos com Cristo Jesus, fomos batizados para ficarmos unidos também com a sua morte" (Romanos 6.3). Ele fala de algo que só aconteceu uma vez, com nenhuma intenção de repeti-lo. Mesmo assim, quando somos batizados, este continua provendo bênçãos. Paulo continua dizendo: "Assim quando fomos batizados, fomos enterrados com ele por termos morrido junto com ele. E isso para que, como Cristo foi ressuscitado pelo poder glorioso do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova" (Romanos 6.4).
          Paulo escreve: "Pois vocês foram batizados para ficarem unidos com Cristo e assim se vestiram com a pessoa de Cristo" (Gálatas 3.27). Através do Batismo uma relação permanente tem sido estabelecida entre o cristão e Cristo. O cristão se veste de Cristo. E enquanto segue acreditando em Cristo, assim também continua a sua relação. O cristão é um filho de Deus por meio da fé em Cristo (v.26). Dia após dia o cristão pode ver no seu Batismo uma fonte de consolo que lhe assegura que Jesus o tem feito seu. Diariamente o cristão pode saber que tem o perdão por Cristo, com quem se tem vestido no Santo Batismo pela fé. Diariamente lembra que deve viver a nova vida que o Batismo tem começado. E ainda mais, o cristão pode ficar seguro de que Deus nunca vai voltar atrás no pacto estabelecido pelo Batismo, porque Deus é um Deus fiel. Isto deve mover o cristão a apegar-se às promessas preciosas como verdadeiras e legítimas.
                    O Batismo de crianças
          Quando Jesus instituiu o Batismo, Ele ordenou que todas as nações fossem batizadas. "Todas as nações" inclui homens de todas as nações e raças, de ambos os sexos, e de todas as idades. Não há nada na Bíblia que indique que as crianças não estão incluídas neste mandato. Aqueles que se opõem ao Batismo de crianças, como por exemplo os Batistas, baseiam as suas posições na razão humana. A razão não pode chegar a conclusão de que crianças não são inocentes, e que precisam do perdão dos pecados conferidos no Batismo. As Escrituras, entretanto, dizem que o homem é concebido e nasce em pecado (Salmo 51.5), e por isso precisa da graça de Deus tão logo que a sua vida comece.
          Já que as faculdades mentais da criança não estão desenvolvidas, a razão pode concluir que a criança não pode acreditar ou ter fé. Mesmo assim, Jesus falou sobre aqueles pequenos "que creem em mim" (Mateus 18.6). Bravo com os seus discípulos por não deixarem que as mães trouxessem suas crianças para Jesus, Ele disse: "Lembrem-se disto: quem não recebe o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele" (Marcos 10.15). Verdadeiramente as crianças podem acreditar; sua fé é uma fé exemplar.
          Se Deus tem convidado a todas as nações a receber as bênçãos do Batismo, o homem não pode aplicar restrições que Deus não tenha ordenado. Quem negar o Batismo a uma criança deve provar que Deus mesmo o tem negado. Isto Deus não tem feito. Ao contrário, Deus chama o Batismo "uma nova vida"
(Tito 3.5), e por isso os pais podem confiar que por meio do Batismo, os seus pequeninos também são renascidos pela sua fé em Cristo, o seu Salvador.

                    12 - A SANTA CEIA
          Na noite em que Jesus foi capturado, enquanto Ele estava tomando a ceia da Páscoa pelaultima vez com os seus discípulos, Ele instituiu o segundo dos Sacramentos do Novo Testamento, a Ceia do Senhor ou a Santa Ceia. Pegando o pão, o partiu e deu graças, e, dando os pedaços aos seus discípulos, disse: "Peguem e comam, este é o meu corpo que é dado por vocês". Tomou também o copo de vinho e o deu aos seus discípulos dizendo: "Peguem e bebam, este é o meu sangue, que é derramado por muitos pela remissão dos pecados". A respeito do pão e do vinho ele disse: "Façam isto em memória de mim". O que ele tinha feito os discípulos tinham que repetir. Ele instruiu este ritual de comer e beber como um Sacramento.
                    Verdadeiro corpo e verdadeiro sangue de Jesus
          Deve se notar que quando Jesus deu o pão aos seus discípulos para comerem, Ele disse que estavam recebendo o seu corpo. E quando beberam do copo de vinho, Ele lhes assegurou de que estavam recebendo o seu sangue, o qual Ele havia derramado pelos pecados dos homens. Quando Jesus disse isto, foi uma hora solene. Ele estava no ponto de ser sacrificado como o Cordeiro Pascal para a salvação do homem. Nesta hora Ele falou claramente. O que Ele falou tem que ser aceito e acreditado. O que as palavras de Jesus proclamam é que os discípulos, ao comer o pão e beber o vinho, ao mesmo tempo estavam recebendo o corpo e sangue de Jesus. Então, quando Jesus ordenou que fizessem em sua memória, lhes assegurou que sempre que comessem do pão e bebessem do vinho neste ceia, receberiam o seu corpo e sangue. Em geral, isto se conhece como a doutrina da real presença no Sacramento.
                    Não mera representação
          Claro, a razão não pode compreender o que acontece na Santa Ceia. Consequentemente, o homem tem tentado explicar o que Cristo disse em formas que satisfazem o seu raciocínio. Geralmente as igrejas reformadas que tem Zwinglio e Calvino como pais espirituais tentam explicar este Sacramento. As palavras de Cristo têm sido explicadas de tal maneira que querem dizer que o pão "representa" o corpo de Jesus, ou que o pão "simboliza" seu corpo. O que Jesus disse no Sacramento tem sido comparado com uma parábola. O problema e engano de todas estas explicações é que eles não aceitam a Palavra de Cristo como verdadeira. Todos eles procedem da suposição de que o que não se pode entender com a razão  humana deve ser explicada em uma forma que o faça razoável e compreensível.
                    Nenhuma transubstanciação 
          Também, a igreja Católica tenta explicar o que acontece na Santa Ceia. Enquanto o pão e ovinho ficam com a sua aparência, consistência, e sabor, eles dizem que os elementos são transformados no corpo e sangue de Jesus. Isto é conhecido pelo nome de transubstanciação, e ocorre quando o padre consagra os elementos. Enquanto que isto reconhece a real presença do corpo e sangue de Jesus, a explicação vai além das Palavras das Escrituras e tem encaminhado mais ensinamentos falsos. Por acreditar que a hóstia consagrada tinha sido transformada no corpo de Cristo, o tem feito um objeto de sua adoração. Eles adoram a hóstia em uma forma especial nas procissões do Corpus Christi. Assim, a igreja Católica, mesmo que retenha a ideia do milagre, tenta explicar o que acontece, e tira conclusões lógicas que são contrárias às das Escrituras.
                    Uma união sacramental
          Não se pode entender nem explicar como o corpo e o sangue de Jesus são recebidos junto ao pão e vinho. As escrituras dizem: "Pensem no cálice de benção que abençoamos. Será que, quando bebemos desse cálice não estamos tomando parte no sangue de Cristo? E, quando partimos e comemos o pão, não estamos tomando parte do corpo de Cristo?" (1 Coríntios 10.16).
          De alguma maneira existe uma união entre o pão e o corpo, e entre o vinho e o sangue. A Igreja Luterana chama isto de uma união sacramental, não para tentar explicá-lo, mas para confessar que esta é uma união que se encontra somente no Sacramento. Em nenhuma outra parte encontramos que o pão que se come tem ao mesmo tempo o corpo de Jesus. Isto ocorre somente na Santa Ceia, porque Jesus mesmo disse. Quando a Igreja Luterana diz que "em", "com", e "baixo" o pão recebem o verdadeiro corpo de Cristo, e que "em", "com", e "baixo" o vinho recebem o verdadeiro sangue de Jesus, ela não está tentando explicar esta união de qualquer maneira. Simplesmente expressa o fato da união sacramental. Que existe uma união, a Bebia o ensina claramente. Uma explicação clara do que acontece não se encontra na Bíblia. Os cristãos simplesmente acreditam no que Jesus tem dito.
                    Os cristãos recebem a segurança do perdão
          Este comer e beber na Santa Ceia é um meio da Graça devido aos beneficias que Deusoferece a quem o recebe. Jesus mostrou quais são os beneficias quando falou do "corpo dadopor ti", e disse do sangue que ele é "derramado para muitos para a remissão dos pecados". Este Sacramente guia o cristão a morte de Jesus, pelos pecados do homem. A morte de Cristo pelos pecados do homem é proclamada a cada participante da Santa Ceia de uma maneira direta e pessoal, quando recebe o corpo e sangue de Jesus. O cristão está assegurado de que ele verdadeiramente tem o perdão diante de Deus.
          Aqui também a fé é necessária para receber estes beneficias. Se um incrédulo vai ao altar e recebe os elementos, ele participa do corpo e sangue de Cristo como qualquer outro. Mas já que ele rejeita, com sua falta de fé, o sacrifício de Jesus pelos seus pecados, perdem-se os benefícios da Santa Ceia. O cristão descobrirá que a sua fé é fortalecida através deste Sacramento, e felizmente aceitará o convite de recebê-la frequentemente.
          A base que assegura o perdão no Sacramento está na morte de Jesus. Por um sacrifício só, Jesus ganhou o perdão para todos os homens para sempre. A Igreja Católica considera este sacramento um sacrifício. Na missa, como eles dizem, Jesus, através do padre, está oferecendo a si mesmo como um sacrifício sem exigir o sangue do padre. O padre, atuando por Jesus, tem o poder de transformar o pão e o vinho no corpo e sangue de Jesus, e isto é oferecido ao padre pelos pecados dos homens. Este sacramento, em vez de ser algo que Deus dá ao homem, acaba sendo algo que o homem oferece a Deus. No pensamento da Igreja Católica pode-se oferecer o Sacramento a Deus por parte dos mortos que estão sofrendo no purgatório. O ensinamento deste Sacramento como um sacrifício é um dos maiores erros da igreja Católica.
          Pela fé, o cristão se junta ao único sacrifício de Jesus no Calvário e se alegra ao encontrar na Santa Ceia que este sacrifício é verdadeiramente para ele.
                    Instituída para seus discípulos
          Quando Jesus pregava, ele pregava para grandes multidões. O Evangelho deve ser pregado a todas as nações. Quando Jesus instituiu a Santa Ceia, o fez para um pequeno círculo do seus discípulos. A Santa Ceia não foi instituída para ser distribuída à população em geral, mas foi dada corno uma segurança aos crentes em Jesus. Foi instituída para aqueles que conheciam a Jesus e haviam sido batizados. Os novos convertidos na fé foram levados ao Batismo e somente depois participaram da Santa Ceia.
          Enquanto que a Santa Ceia deve ser observada em memória da morte de Jesus, devemos assumir que aqueles que estão recebendo na mesa do Senhor tem sido instruídos no Evangelho. Geralmente a Igreja Luterana tem considerado a instrução que precede a confirmação como uma preparação para receber a Santa Ceia.
          Paulo pede aos comungantes que se examinem a si mesmos. "Portanto, antes de comer do pão e beber do cálice, cada um deve examinar a sua consciência" (1 Coríntios 11.28). A capacidade de se poder examinar mostra um grau de compreensão e maturidade. Não é a intenção de dar este Sacramento as crianças já que mentalmente não tem se desenvolvido mais do que a sua idade permite. Também não é dado aos que estão dormindo, inconscientes, ou em estado de coma. As doenças mentais ou a perda das funções mentais podem, em certos casos, fazer a recepção deste Sacramento impossível.
                    A Comunhão conjunta expressa unidade de fé
          Aqueles que participam juntamente da Santa Ceia confessam que são unidos na fé. Paulo escreveu: "Mesmo sendo muitos, todos comemos do mesmo pão, que é um só; e por isso somos um só corpo" (1 Coríntios 10: 17). O erro e a incredulidade destroem esta união. Quando a confissão de uma pessoa revela que há um erro, o cristão não pode pretender que exista a união. Quando um cristão recebe a Santa Ceia junto com outro, está expressando seu companheirismo religioso. Este companheirismo somente pode ser expresso onde a união é reconhecida. Onde é evidente que aqueles que professam o cristianismo não estão de acordo em sua fé, a comunhão conjunta deve esperar até que o acordo seja conseguido.
          A conduta ofensiva também rompe este companheirismo na fé. Quem quer que persista no pecado sem o arrependimento, separa-se de Cristo e de sua Igreja, e não pode receber a Santa Ceia. A razão não é o seu pecado, e sim a sua falta de arrependimento. A dignidade de um comum-gante não consiste na santidade de sua vida, mas sim no seu arrependimento e na fé em Cristo. Evidentemente, onde falta a fé em Cristo e o arrependimento, a comunhão deve ser retida para que o cristão não "tome parte nos pecados dos outros" (1 Timóteo 5:22). Receber alguém que não está arrependido é aprovar a sua falta de arrependimento.
                    Comunhão íntima
          Dado que a comunhão conjunta é um ato de confissão, e que a Escritura tem estabelecido restrições sobre quem pode receber a santa Ceia, a Igreja Luterana pratica a "comunhão íntima". A "comunhão íntima" quer dizer que se celebra entre quem se arrepende dos seus pecados, crê em Jesus Cristo e confessa a união da fé. A congregação confia ao pastor a administração deste Sacramento. Por ele, o pastor animará e levará os pecadores penitentes a encontrar consolo neste Sacramento. Também negará este Sacramento àqueles que, de acordo com a Escritura, não devem recebê-lo, àqueles que não expressam a união da fé na sua confirmação,
          Para o pastor poder cumprir esta ordem com responsabilidade, a Igreja Luterana pratica o registro antes de receber a Santa Ceia. Ainda que este costume não tenha sido ordenado na Escritura, e ainda que haja várias maneiras práticas para cumprir este registro, a Escritura exige uma administração cuidadosa deste Sacramento.

                    13 -  A IGREJA
          A fé é   algo muito pessoal. Sempre é o individuo que chega a crer ninguém pode faze-lo por ele. ֹÉ o individuo que é convertido.  Atos 3:21 diz que no primeiro Pentecostes três mil pessoas se juntaram na comunhão com os discípulos. E destas pessoas foi dito: "Muitos acreditaram na mensagem de Pedro e foram batizados. Naquele dia quase três mil se juntaram ao grupo de seguidores de Jesus"(Atos 2:41). Estas três mil consistiam de indivíduos que creram e foram batizados. Isto foi um assunto pessoal para cada um.
                    A Igreja: a congregação dos que creem
Sem dúvida, estes três mil "se juntaram a eles". Deus levou-os a comunhão com os demais crentes. O cristão não está sozinho. Pela sua fé é levado à família de Deus . Paulo escreve: "Porque por meio da fé que todos vocês são filhos de Deus e estão unidos com Cristo Jesus" (Gálatas 3:26). Há somente um Espírito Santo que leva os homens à fé. Há somente uma fé na qual o Espírito Santo opera em todos os cristãos. Todos eles recebem o mesmo Batismo. Igualmente, eles estão unidos num só corpo. Paulo escreve aos Coríntios: "Assim, também, todos nós, judeus e não-judeus, escravos e livres, fomos batizados num só corpo pelo mesmo espirito. E a todos nos foi dado de beber do mesmo Espírito" (1 Coríntios 12:13). A nacionalidade ou a cor não tem importância. Os judeus e os não judeus, pela sua fé estão unidos em Cristo. O homem livre ou ao escravo, o homem de baixa posição assim como o de alta posição, todos estão unidos pela fé. Qualquer que seja a destino deste mundo, homem ou mulher, rico ou pobre, Luterano ou Metodista ou Católico, todos que verdadeiramente creem em Jesus Cristo como Salvador dos pecados, estão unidos por Deus e Sua família num só corpo.
          A Escritura descreve esta família de diferentes modos. ֹ chamada de o templo de Deus (1 Coríntios 3:16), como também י chamada o corpo de Cristo (Efésios 1:23; 4:120. Pedro se refere a ela como a "raça escolhida" de Deus, e "os sacerdotes do Rei, a nação completamente dedicada a Deus, o povo que pertence a ele"(l Pedro 2:9). Também  chamada a "Igreja".
          A expressão "igreja" traduzida pelo português em ambos idiomas, o grego e o latim "ecclesia". Literalmente, "ecclesia" significa uma "assembleia de cidadãos reunidos por um líder ou mensageiro". A Escritura usa esta palavra para falar dos que estão reunidos pela fé em Cristo. Jesus foi feito "o único Senhor de tudo" (Efésios 1 :22). Jesus prometeu: "Construirei a minha Igreja, e nem a morte poderá vencê-Ia" (Mateus 16: 18). Jesus reúne todos os que têm sido chamados do grande número de humanos incrédulos, e tem sido levados à fé salvadora. Esta assembleia ou congregação de verdadeiros crentes  chamada Igreja.
                   A Igreja - invisível
          Somente os verdadeiros crentes estão congregados por Cristo na sua Igreja. Pela fé em Cristo Jesus, o individuo é  feito um filho de Deus e um membro da Sua família. Nenhum incrédulo, ainda que se chame cristão e esteja na companhia de cristãos, faz parte da Igreja de Jesus Cristo. Por outro lado, ,não há nenhum crente verdadeiro que não faça parte da Igreja de Cristo.
          Isso significa que somente quem olha dentro do coração do homem e vê a fé que está presente, pode realmente saber quem é membro da Igreja. Isto o homem não pode fazer. O homem só pode ver "a aparência, mas eu [Deus] vejo o coração" (l Samuel 16:7).
          As aparências podem enganar, mas Deus que olha dentro do coração não pode ser enganado. Portanto, somente o Senhor "conhece os que são dele" (2 Timóteo 2: 19).
          Por consequência, a Santa Igreja Cristã não pode ser identificada com algum grupo ou organização externa. A Igreja, portanto, tem sido chamada invisível. Nenhum ser humano é capaz de saber com certeza quem é parte da Igreja e quem não é. Seus limites não podem ser estabelecidos pelo homem. Isso não significa que a Igreja é imaginária. Ela tem uma existência verdadeira neste mundo. Há um atual grupo de indivíduos, cada um realmente membro dela. Mas somente Deus sabe quem são estas pessoas.
                    A presença da Igreja pode ser reconhecida
          Se a Igreja é invisível, não será impossível, ou pelo menos difícil de encontrá-la neste mundo? De maneira nenhuma! Ainda que seja invisível no sentido mencionado antes, sua presença pode ser reconhecida com facilidade. Há sinais ou marcas pela qual sua presença pode ser discernida.
          Onde se encontram os crentes da Igreja? Eles se encontram onde quer que haja meios que produzem a fé, e estes meios são: o Evangelho na Palavra e os Sacramentos. Pedro escreve: "Pois vocês, pela viva e eterna palavra de Deus, nasceram de novo como filhos de um pai que é imortal e não de pais mortais" (1 Pedro 1 :23). Na epístola a Tito o Batismo é designado: "E por meio do Espírito Santo, ele nos purificou e nos fez nascer de novo e nos deu uma vida nova" (Tito 3:5). Por consequência, onde quer que se use a Palavra de Deus, e onde quer que o poder regenerador do Batismo seja aplicado, ali se pode contar com a presença de crentes, ou seja com a Igreja. Deus nos assegura da Palavra regeneradora: "Assim também a ordem que eu dou não volta sem ter feito o que eu quero, ela cumpre tudo o que eu mando"(Isaías 55:11). Contudo, Deus tem dado à Igreja a responsabilidade de anunciar o Evangelho (Mateus 28: 19). Em todo o lugar onde se encontram cristãos, cujos corações tem sido conquistados pelo Evangelho, ali eles tentam cumprir esta responsabilidade. Eles dirão, igual aos discípulos: "Não podemos deixar de falar daquilo que vimos e ouvimos" (Atos 4:20). Os cristãos administrarão os Sacramentos ao claro mandato do Senhor: "façam isto". Onde a Palavra e os Sacramentos estão em uso, pode-se assumir corretamente que haja pessoas aos cuidados de Deus que tem confiado o uso destes meios.
          Ainda que a Igreja seja invisível no sentido de que os exatos membros são conhecidos somente por Deus, os Meios da Graça são os sinais pela qual a presença dos crentes é revelada. Estes meios são propriamente chamados de a Igreja.
                    Igrejas visíveis
         Deus também está com os cristãos em congregações ou em assembleias visíveis. Quando a congregação confessa ser de Cristo, e usa os Meios da Graça, é chamada uma igreja pela presença dos verdadeiros crentes. Paulo escreveu "à Igreja de Deus da cidade de Corinto". Ele podia chamar de igreja porque escrevia aos que "pela sua união com Cristo Jesus, são chamados para ser o povo de Deus. Esta carta é escrita também àqueles que em todos os lugares pedem a ajuda do nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso" (1 Coríntios 1:2). Possivelmente hipócritas haviam se associado na assembleia externa em Corinto, mas pela presença dos verdadeiros crentes Paulo pôde chamar esta reunião uma igreja.
          Deus tem um propósito para reunir os cristãos em grandes ou pequenos grupos. É significativo o que disse a carta aos hebreus 10:24,25 " Tenhamos consideração uns para com os outros, a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem. Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Ao contrário, animemos uns aos outros e ainda mais agora que vocês veem que o Dia do Senhor está chegando." Os cristãos necessitam uns dos outros. Devem animar, fortalecer e consolar uns aos outros. E também têm uma tarefa importante que ninguém deles pode fazer sozinho. Seu dever é de pregar o Evangelho não só entre eles, mas sim para o mundo inteiro.
          A reunião mais comum é na congregação local. Nela os cristãos se reúnem para ouvir a Palavra, para receber os Sacramentos e para cumprir as suas responsabilidades cristãs. Nota-se, então, a importância de ser membro da congregação local.
          Os cristãos também se reúnem em agrupamentos maiores designados corpos eclesiásticos ou sínodos. Existem certas responsabilidades que a congregação local sozinha não pode cumprir adequadamente. Isto inclui a formação de pastores, professores e missionários, o apoio financeiro aos programas de missões internas e externas, publicações de revistas e livros de índole religiosa, e o fortalecimento mútuo na sã doutrina. Sozinha nenhuma congregação pode desempenhar esta obra.
          Outros agrupamentos podem ser formados para manter escolas luteranas de ensino superior, para sustentar o ministério institucional, e ajudar em obras de instituições de caridade. Em todos esses agrupamentos, os cristãos estão unidos por interesse comum para desempenhar suas responsabilidades como filhos de Deus em Cristo Jesus. Todas são funções da igreja, que
surgem segundo a necessidade e o mandato divino.
                    A união da igreja
          Ainda que existam muitos grupos que são chamados igrejas porque os Meios da Graça os designam como tal, todos os crentes nestas igrejas estão unidos no nome de Cristo em uma Santa Igreja Cristã. Nem sempre demonstra esta aparência para este mundo. No entanto, o apóstolo disse aos Efésios que há "um só corpo e um só Espírito e somente uma esperança, para qual Deus chamou vocês. Há um só Senhor, uma só fé e um só batismo. E há somente um Deus e Pai de todos, que é o Senhor de todos, que age por meio de todos e está em todos" (Efésios 4:4-6). Os cristãos são exortados "para conservar, por meio da paz que os une, a união que o espírito dá" (Efésios 4:3).
          A união do Espírito não pode ser reconhecida se não se evidencia de alguma maneira externa. Deus pode olhar dentro do coração do homem e ver a união do Espírito que está presente. Os cristãos somente a podem discernir quando é externamente evidente pela confissão do crente. Por meio desta confissão, o cristão em palavras e obras expressa sua fé e a esperança em seu coração. Ele confessa a sua fé quando fala do que crê, e quando suas ações revelam o que mora em seu coração. Uma congregação ou um corpo eclesiástico faz a confissão de sua fé pelas
doutrinas que prega e defende, e nas práticas que se cumprem dentro delas. O indivíduo cristão, pela sua fé e sendo membro duma congregação ou sínodo, une-se à confissão daquele grupo.
          O indivíduo, uma congregação ou um corpo eclesiástico deve confessar a verdade segundo a
revelação das Escrituras Sagradas. Uma igreja que tem tal confissão é uma igreja verdadeira e ortodoxa. Se a confissão de uma igreja revela a presença do erro, tal igreja é falsa ou heterodoxa.
          O Evangelho, ainda no meio do erro, continua presente e efetivo. Por esta razão, pode-se dizer que ainda em falsas igrejas existem cristãos. No Israel dos profetas, durante o tempo de Elias, Deus ainda seguia preservando sete mil que não haviam adorado o deus Baal (ver I Reis 19: 18). No entanto, o erro que é confessado e ensinado, é um perigo constante para a fé. Pela presença do erro tais igrejas são chamadas heterodoxas.
                    A união expressada no companheirismo
          Quando suas confissões revelam que existe a união da fé, os cristãos a reconhecem dando a expressão de seu companheirismo em Cristo. Quando Tiago, Pedro e João reconheceram que Paulo e Barnabé proclamaram o Evangelho verdadeiro aos não-judeus, ele estenderam "as mãos. Como companheiros" (Gálatas 2:9), e assim deram a conhecer sua mútua união. Segundo a ocasião, os cristãos expressaram este companheirismo através dos cultos comungantes e obras da igreja. Exemplos disto são a participação comum à Santa Ceia, o estabelecimento do ministério comum, o intercâmbio de pastores e a união nas orações e na obra missionária. Mas, somente onde as confissões tem revelado a verdadeira união, ali Deus aprova tais manifestações de companheirismo.
                    A falta de união confessional divide
          Onde as confissões revelam que a união não existe, as expressões do companheirismo estão contra a Palavra de Deus. Paulo adverte o seu discípulo Timóteo: "Se alguém ensina alguma doutrina diferente e não concorda com as verdadeiras palavras do nosso Senhor Jesus Cristo e com os ensinamentos da nossa religião, esta pessoa está inchada de orgulho e não sabe nada" ( 1Timóteo 6:3-5). Paulo termina com o seu mandato: "Mas você, homem de Deus, fuja de tudo isso. (v.11). Jesus advertiu: “Cuidado com os falsos profetas”. Eles vêm disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos selvagens" (Mateus 7: 15). Paulo mandou aos Romanos: "Meus irmãos, peço que tomem cuidado com os que provocam divisões, atrapalham os outros na fé e vãocontra o ensinamento que vocês receberam. Afastem-se deles" (Romanos 16: 17). Repetidamente as Escrituras advertem contra as perversões da verdade. Ignorar estas advertências é pôr a fé em perigo. Ainda que nenhum cristão tenha conhecimento perfeito da revelação de Deus, e ainda que cada cristão possa errar e necessite crescer na fé e na compreensão, ao praticar o companheirismo com aqueles que persistem no erro, está pecando.
          Ainda no meio das divisões que os falsos ensinamentos têm ocasionado neste mundo, o cristão reconhece que está unido com todos os cristãos de todas as partes através da única fé. Esta união somente Deus pode ver. Com alegria ele espera o dia no qual esta união será evidente na glória celestial.
                    14 - O MINISTÉRIO                                                                    
          A Igreja existe neste mundo para um fim. Tem serviço para fazer. Jesus, a Cabeça da Igreja, quer que o seu Evangelho seja pregado a todas as pessoas (Marcos 16: 15; Mateus 28: 18-20). Quem o deve fazer? A quem Deus encomendou a pregação do Evangelho? Quando Jesus deu este mandato aos seus discípulos, ele não limitou a esses doze homens, nem àqueles que como os discípulos eram treinados. Como cristão, que haviam recebido o Evangelho em seus corações, eles foram comissionados para levar o Evangelho aos homens em todas as partes. A Igreja, quer dizer, o corpo inteiro de Cristo, foi encomendado esta obra.
                    O sacerdócio universal
          Ao falar com seus discípulos, Jesus numa só vez deu uma ordem geral a toda a cristandade. Isto se torna evidente no que Pedro escreve: "Mas vocês são a raça escolhida, os sacerdotes do Rei, a nação completamente dedicada a Deus, o povo que pertence a ele. Vocês foram escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz" (1 Pedro 2:9). A quem Pedro se dirige? São os "mensageiros da Boa-Notícia do Evangelho, que falaram pelo poder do Espírito Santo, mandado do céu, disseram a vocês essas verdades"( 1 Pedro 1: 12). A estes mesmos Pedro também disse: "Vocês, também, como pedras vivas, deixem que Deus os use na construção de um templo espiritual onde vocês  servirão como sacerdotes consagrados a Deus" (1 Pedro 2:5). Este versículo se refere a todos os crentes. Eles constituem um sacerdócio santo e real. Cada cristão é um sacerdote de Deus, chamado por Cristo para anunciar sua mensagem. Geralmente, isto se chama o sacerdócio universal de todos os crentes.
          O sacerdócio universal tem consequências  praticas para cada cristão. Cada cristão tem recebido o Evangelho para que ele possa ser o meio pelo qual o Evangelho é entregue a outros. Vemos como um rumor  contado para duas pessoas, e estas duas a passam para seus amigos, e de repente todo o mundo sabe das notícias. Assim também, o Evangelho que tem sido recebido, há de ser passado ao próximo e assim também se multiplica o número de destinatários. Isto acontece,  quando, por exemplo, os Cristãos de Jerusalém no tempo do martírio de Estevão foram perseguidos e foram "espalhados" e "anunciavam a Boa-Notícia do Evangelho por toda parte" (Atos 8:4). Mas há de saber que quando o cristão falha em entregar o Evangelho aos outros, a cadeia do testemunho do Evangelho se rompe. No sacerdócio universal cada cristão é alistado como testemunha ativa do Evangelho.
                    O ministério público
          Deus quer que cada cristão funcione no sacerdócio universal. Mas, além disso, Ele tem estabelecido a prática de designar a uns cristãos para administrar, em nome dos demais cristãos, os Meios da Graça. Isto se chama o ministério público. Um ministro público do Evangelho prega a Palavra e administra os Sacramentos não unicamente por si só, mas sim como o servo dos demais. O grupo de cristãos lhe pede que o faça em nome do grupo e para seu beneficio. Neste sentido seu ministério é o ministério público. Isto é necessário para que haja a boa ordemna igreja onde os cristãos estão reunidos. Se cada cristão começasse e exercer a sua responsabilidade de pregar o Evangelho sem algum tipo de coordenação, haveria confusão. Deus disse que tudo se faça" com decência e com ordem"(l Corintios 14:40). Por esta razão, tal
grupo de cristãos designa alguém que pregue o Evangelho em nome dos demais.
                    O chamado
          Os cristãos nomeiam aos que devem servir no ministério público por meio de um chamado. Ainda que no ministério público só um cristão representa os outros cristãos da igreja, executando os deveres que todos têm em comum. Ele deve ser chamado por estes cristãos para representá-los nesta função. Para demonstrar isso, Paulo faz a pergunta: "E como poderá ser anunciada, se não forem enviados mensageiros" (Romanos 10:15). Seria presunçoso funcionar no ministério público sem um chamado.
         Ainda que os profetas e os apóstolos receberam seus chamados diretamente de Deus (ver Isaías 6:8; Jeremias 1:4-10; Mateus 10:1; Gálatas 1:1) também agrada a Deus estender o chamado por meio dos homens, isto é, por meio dos cristãos aos quais Ele tem encomendado o Evangelho. Em suas jornadas missionarias Paulo fez pedidos para que fossem chamados presbíteros e bispos (pastores) nas várias igrejas. Lucas escreve a respeito de Paulo e Barnabé: "Em cada igreja os apóstolos escolhiam presbíteros. Eles oravam, jejuavam e pediam em favor dos presbíteros a proteção do Senhor, em que eles haviam crido" (Atos 14:23). Paulo escreve a Tito, Lembrando-lhes que ele o deixou em Creta para "nomear em cada cidade os presbíteros das igrejas" (Tito 1 :5). Sem dúvida, ainda que homens participaram em chamar estes presbíteros e bispos, de fato foram chamados por Deus. Paulo exorta os presbíteros de Éfeso: "Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho que o Espírito Santo entregou aos cuidados de vocês"(Atos 20:28). Ainda que os homens haviam sido instruídos no estabelecimento de seu oficio, os presbíteros foram assegurados de que o Espírito Santo os havia feito ministros. Portanto, diz-se que os ministros públicos da Palavra têm um chamado divino.
                    Requisitos para o ministério público
          Todos os cristãos, pela fé em Jesus Cristo como seu Salvador, são chamados para serem sacerdotes e reis. Mas os que serão chamados para o ministério público precisam de requisitos especiais. A congregação tomará isto em conta ao chamar um pastor ou um mestre. Também deve lembrar isto ao escolher os que servirão como oficiais da igreja ou como mestres da escola dominical.
          Especialmente em 1 Timóteo, capítulo três e Tito, capítulo um, a Escritura enumera os requisitos de bispos, presbíteros e diáconos (nomes utilizados na Escritura para os ministros do Evangelho). Os que servem a igreja e a Cristo no ministério público devem viver uma vida exemplar. As Escrituras registram vanos detalhes quanto a isto. Além disso, ainda que seu trabalho consiste em ensinar e pregar, cada um há de ter "capacidade para ensinar"( I Timóteo 3:2). Um "bispo" deve ser "dedicado à mensagem que merece confiança e que está de acordo com a doutrina. Assim ele poderá animar os outros com o verdadeiro ensinamento e também mostrar o erro dos que são contra esse ensimamento"(Tito 1 :9). A igreja há de se interessar no treinamento de homens que sabem e podem ensinar as doutrinas verdadeiras da Escritura. Paulo escreve a Timóteo: "Tome as palavras que você me ouviu anunciar na presença de muitas testemunhas e entregue-as aos cuidados de homens de confiança, que sejam capazes de ensinar a outros"(2 Timóteo 2:2). Afinal, os ministros de Cristo são "encarregados de realizar os planos secretos de Deus," e deles se requer especialmente "que seja julgado fiel ao seu Senhor"( 1 Coríntios 4: 1,2). A igreja há de ter muito cuidado em escolher os que são chamados ao ministério público.
                    A forma e o alcance do ministério
          O grupo de cristãos que estende o chamado, em liberdade cristã designa o lugar, a forma e o alcance do serviço que deve ser prestado. Paulo foi chamado para servir como missionário especialmente aos não-judeus. Seu campo foi extenso. Os presbíteros de Éfeso foram feitos administradores do rebanho nesta cidade. Paulo foi chamado como apóstolo. Outros foram chamados profetas, evangelistas, pastores e mestres (Efésios 4: 11). No entanto, Paulo se deu conta que o seu ministério tinha limites. Ele foi chamado especialmente "para anunciar a Boa Notícia do Evangelho", mas sem nenhum chamado especial para batizar (1 Coríntios 1: 17).
          Igualmente haverá um dia em que a igreja chamará alguém para servir uma congregação num determinado lugar, ou talvez chamará um missionário sem um campo fixo. O chamado indicará onde deve servir e a forma de seu serviço. A forma mais comum é a do pastor de uma congregação. Mas a igreja pode chamar também os que servem como mestres, professores de faculdades e escolas, missionários em outros países, ou servos da igreja em ofício especial como presidente ou administrador executivo. É extenso e variado o alcance do serviço ao qual o pastor é chamado. Ao contrário, o serviço de um professor ou mestre e de outros oficiais é mais limitado. Em cada caso os limites de serviço devem ser indicados no chamado. O grupo de cristãos que atua em nome do Senhor Jesus ao  chamar os ministros, cumprirá esta responsabilidade com o temor de Deus. A pessoa a quem se manda o chamado, com oração, tentará cumprir o mandato de Deus.
                    16 - A IGREJA E O GOVERNO                                 ~
          Deus tem colocado o cristão no mundo para viver junto com a sociedade humana. Não se tem ordenado para o cristão separar-se do mundo nem evitar o resto da humanidade. Nenhum individuo é uma ilha separada do continente da sociedade humana. Cada vida humana se relaciona com outras vidas humanas em muitos aspectos.
                    Mandados por Deus
          Para que os homens possam viver juntos em harmonia neste mundo, Deus tem estabelecido os governos. A Escritura expõe em termos claros que a autoridade governamental é um mandato divino: "Não existe nenhuma autoridade sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas por ele"(Romanos 13:1). No seguinte versículo, esta "autoridade" também se chama "mandato de Deus". Este não se refere a uma forma específica de governo. Foi um mandato de Deus o governo imperial que regia Roma, onde viviam os destinatários da carta de Paulo. Foi assim também quanto à autoridade que o governo romano exercia na Palestina. Jesus disse a Pilatos: "O senhor só tem autoridade sobre mim porque ela lhe foi dada por Deus" (João 19: 11). A autoridade que Pilatos tinha foi dada por Deus. Também se aplica esta verdade no dia de hoje quanto àquele que tem autoridade governamental através da eleição de seus cidadãos. "Não há autoridade senão de Deus". O cristão, reconhecendo que o governo que lhe rege o faz por mandato divino, por razões de consciência o obedecerá. Paulo disse aos seus leitores cristãos: "Sejam obedientes a toda a autoridade humana: ao Imperador, que é a mais alta autoridade, e aos governantes que são escolhidos por ele" (1 Pedro 13: 14). Ao dizer: "Cristãos, sejam sujeitos ao governo por causa do Senhor." Ele o faz um assunto da consciência do cristão. O cristão não pode dizer: "Estes são mandatos humanos e portanto não necessito submeter-me a eles." Ainda que o homem tenha estabelecido estes mandatos, o cristão reconhecerá que sua autoridade vem de Deus e se submeterá por causa do Senhor. Esta obediência não tem limite. Estende-se até ao governo que não agrada o cristão. Nero, um pagão, que mais tarde perseguiu os cristãos, era imperador quando Paulo escreveu aos Romanos. Até a ele os cristãos daquele tempo tinham que se submeter. Unicamente quando a obediência às "autoridades que são" gera conflito com a obediência à Palavra de Deus, o cristão está  isento dessa obrigação. Então dirá com Pedro e os apóstolos: "Devemos obedecer a Deus e não às pessoas" (Atos 5:29).
                    A extensão das funções governamentais
          Ao estabelecer a autoridade governamental, Deus lhe designou também suas funções especificas. Estas tocam a vida do homem neste mundo em relação com os demais homens. O governo é responsável para castigar as obras más, a maldade e o crime. Paulo escreve: "Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes - pois as autoridades de fato têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo dele sobre os que fazem o
mal" (Romanos 13:3,4). Pedro disse que o governador é enviado "para castigar os malfeitores" (1 Pedro 2: 14). É a responsabilidade do governo prender, julgar e castigar todos aqueles envolvidos em atos criminais.
          Por outro lado, o governo promoverá a justiça cívica. "Se você não quiser ter medo das autoridades, então faça o que é bom, e elas o elogiarão. Porque elas estão a serviço de Deus para o bem de você" (Romanos 13:3,4). Pedro expressa este pensamento em sua primeira epístola no capítulo dois, versículo 14. O governo promoverá a conduta entre os cidadãos com as normas aceitáveis.
          O governo tem a função de cobrar impostos e de controlar os assuntos econômicos. Espera-se dos cristãos que paguem o que devem a elas. "Paguem os seus impostos, inclusive os das suas propriedades. Respeitem e homem todas as autoridades" (Romanos 13:7). Jesus reconheceu o dinheiro com a imagem de César como dinheiro válido e ordenou aos judeus: "Deem ao Imperador o que é do Imperador" (Mateus 22:21).
          Por último, também é função do governo manter a paz civil; promover relações pacíficas entre os cidadãos e de proteger os seus cidadãos de tudo o que os coloque em perigo as suas vidas pacíficas. Um cristão orará por seu governo "para que possamos viver uma vida calma e pacífica, com todo o respeito a Deus e agindo corretamente" (1 Timóteo 2:2).
                     A espada
          Deus tem dado ao governo os meios adequados para desempenhar suas funções. Paulo disse que quem quer que trabalhe no governo como "ministro de Deus ... não é sem motivo que ele traz a espada." (Romanos 13:4 versão Almeida)
          A palavra "espada" refere-se ao poder e autoridade, que se estendem até sobre a vida e a morte. Isto inclui o poder de formular as leis, de ter cortes e o poder judicial para aplicar a lei aos desobedientes, com o direito de julgar para absolver ou condenar segundo as leis estabelecidas. Isto se estende até o ponto de "trazer o castigo dele sobre os que fazem o mal" (Romanos 13:4). A espada não é dada em vão à autoridade governamental mas sim para ser usada, para castigar até com a morte se o governo assim o determina. Finalmente, é para ser aplicada na guerra, para a proteção de seus cidadãos se tal seja a necessidade.
                    De acordo com a luz da razão
          A autoridade governamental usará os meios que têm sido outorgados por Deus, de acordo com a luz da razão. Isto inclui o sentido inato da justiça do que normalmente é correto ou incorreto. “As Escrituras dizem do homem que” eles mostram, pela sua maneira de agir, que têm a Lei escrita nos seus corações. A própria consciência deles prova que isso é verdade, pois os seus pensamentos às vezes os acusam e às vezes os defendem" (Romanos 2:,15). A razão do homem até pode saber ou conhecer algo de Deus. "O que eles podem conhecer a respeito dele está bem claro, pois foi o próprio Deus que mostrou isso a eles. Desde que Deus criou o mundo, as qualidades invisíveis, tanto o seu poder eterno como a sua natureza divina, têm sido vistos claramente" (Romanos 1: 19-20). Na formulação das leis o governo tem de usar esta luz da razão, decretando as leis que pareçam mais justas, corretas e razoáveis. Ao formar a justiça civil, o governo apela pela razão e consciência com a sua lei inscrita.
          Aos que se há encomendado o uso da espada, estes a aplicarão de acordo com o que pareça mais razoável. Quanto mais fale a razão humana, e quanto mais a lei inscrita se escureça e a consciência fique confusa, tanto menos efetivo será o governo.
                    As funções da igreja
          As funções que Deus tem designado à sua igreja são muito distintas. Seu interesse se concentra na vida interior e espiritual do homem. Sua responsabilidade principal é levar aos homens o ensinamento de Cristo, "vão a todos os povos do mundo e façam que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho mandado" (Mateus 28 19-20). A igreja pregará Jesus crucificado como o único caminho para a salvação eterna. Promoverá através da pregação da Palavra de Deus, um caminho de vida que corresponde à vontade divina. Os meios que têm sido dado para o desempenho destas funções foram mencionados. A Palavra de Deus, as Escrituras Sagradas, os Meios da Graça, o Evangelho na Palavra e os Sacramentos, estes são os
meios pelos quais a igreja deve cumprir a sua tarefa espiritual com seu significado eterno. O mandato para a igreja e seus ministros é o mesmo que Paulo deu a Timóteo: "pregue a mensagem e insista em anunciá-la, nó tempo certo ou não. Convença, repreenda, anime e ensine com toda a paciência" (2 Timóteo 4:2).
                    Nenhuma confusão quanto às responsabilidades e os meios
          Estas duas instituições de Deus, o governo e a igreja, podem trabalhar sem conflito no mundo, quando cada um cumprir sua respectiva tarefa com os respectivos meios dados por Deus. A igreja e o estado existem juntos neste mundo. As mesmas pessoas estarão ativas em ambas as instituições. Algumas vezes até podem ser chamadas para participar num mesmo esforço. Não deve haver, sem embargo, nenhuma confusão quanto às responsabilidades e os meios de cumpri-las. O governo não presumirá ser um mensageiro do Evangelho, para dirigir os homens à vida eterna através de Cristo. Nem interferirá enquanto que a igreja cumpra sua tarefa salvadora de pregar a respeito de Cristo. Em troca, a igreja não presumirá guiar e influenciar o estado na elaboração e execução das leis civis, na declaração de guerra ou na preservação da paz. Cada um deve permanecer dentro de sua designada esfera.
          Além disso, cada um deve desempenhar suas responsabilidades com os meios dados por Deus. O governo deve usar a "espada" conforme a luz da razão. Não intencionará governar por meio do Evangelho. Em troca, a igreja deve usar a Palavra de Deus e não intencionará lograr seus fins usando o poder civil.
                    O cidadão cristão
        
          O cidadão cristão encontra-se envolvido nas duas instituições de Deus. Ele é um membro da igreja de Cristo, e é um cidadão de seu respectivo estado ou país. Tem responsabilidades tanto na igreja, como no estado. Estas responsabilidades não se confundirão quando o cristão, a igreja e o estado estão de acordo com as suas tarefas designadas e os meios de cumpri-las. O cristão não esperará que a igreja corrija as deficiências do governo. Também não buscará ajuda do governo para desempenhar as funções que Deus tem designado para a igreja. Mas, como um cristão fiel, orará por seu governo e aqueles que têm autoridade (ver 1 Timóteo 2: 1-2). O cristão usará a sua influência como cidadão para persuadir o governo a aprovar leis justas e boas. Ele fará tudo o que se espera de cidadãos leais "por causa do Senhor". O fato de ser um cristão, lhe fará um bom cidadão.
          Desta forma o estado se beneficiará da presença da igreja em seu meio. Enquanto a igreja prepara cristãos fiéis, o estado também tirará proveito do temor e amor para com Deus que os cidadãos cristãos manifestarão a seus governos.

                    16 – O FIM DE TODAS AS COISAS E A ETERNIDADE
          O mundo e tudo o que há nele tem um começo e um fim. A vida do homem começa com o nascimento e termina com a morte. O mundo chegou a existir pela criação divina, e quando Jesus voltar no último dia para o juízo final, o mundo terminará. Mas nem tudo termina com a morte e nem com o último dia, no sentido de que nada exista depois. Não existe uma aniquilação total. Depois da morte e do juízo final vem a eternidade.
                    A morte é a separação do corpo e da alma
          Desde que os órgãos humanos, incluindo o coração, tem sido usados em cirurgias e transplantes, até a ciência biológica tem muita preocupação em determinar exatamente o que é a morte. Quando um homem está morto? A morte ocorre quando o homem para de respirar? Ocorre quando o coração para de bater? Ou quando o cérebro para de funcionar? Sem tentar contestar estas perguntas biológicas, as Escrituras reconhecem que a morte ocorre no momento em que a alma - o espírito - separa-se do corpo. Jesus ao morrer "entregou o espírito" (Mateus 27:50 versão Almeida). Em troca, quando Jesus ressuscitou a filha de Jairo dentre os mortos, as Escrituras dizem: "Ela tornou a viver" (Lucas 8:55). A separação do corpo e da alma é descrita em Eclesiastes: "Então o nosso corpo volta para o pó da terra, de onde veio, e o nosso espírito voltará a Deus, que o deu"(Eclesiastes 12:7). O corpo do homem é composto da mesma matéria do que o mundo foi criado. Mas a alma do homem não é matéria, e sim espírito. A morte, segundo as Escrituras, é a separação da alma do homem do seu corpo.
                    Com a morte termina o tempo da graça
          A morte é o fim da vida do homem na terra. Assim a morte também é o fim do tempo de graça do homem. Deus concede ao homem na terra tempo para arrepender-se do pecado e para chegar a crer em Jesus como o caminho para a salvação. Depois da morte, não se concede outra oportunidade para isto. Ao morrer, o homem se confronta com uma das duas possibilidades na eternidade. Ainda no dia da sua morte o malfeitor chegou a crer em Jesus e recebeu a segurança: Eu lhe afirmo que hoje você estará comigo no paraíso" (Lucas 23:43). Paulo expressou o seu desejo: "pois quero muito deixar esta vida e estar com Cristo" (Filipenses 1:23). Ao contrário, na parábola que Jesus contou, o homem rico morreu e se encontrou no inferno (Lucas 16:22-23). O livro de Hebreus declara que: "cada pessoa tem de morrer uma só vez e depois ser julgada por Deus" (Hebreus 9:27). O crente morre e se encontra com Deus. O incrédulo morre e
se encontra no inferno.
                    A segunda vinda de Jesus
          Quando Jesus subiu ao céu, os anjos prometeram sua volta. "Esse Jesus que estava com vocês e foi para o céu voltará do mesmo jeito que o viram subir" (Atos 1: 11). Visivelmente, da mesma maneira que subiu, Jesus voltará novamente "quando vier como rei, com todos os anjos" (Mateus 25:31). As Escrituras revelam a verdade de que "o sinal do Filho do Homem aparecerá no céu. Todos os povos da terra chorarão e verão o Filho do Homem descendo nas nuvens, com poder e grande glória" (Mateus 24:30). A volta gloriosa de Cristo será muito distinta do seu nascimento humilde em Belém, quando veio pela primeira vez ao mundo.
                    A ressurreição de todas as pessoas
          O dia em que Jesus voltar também será o dia da ressurreição de todas as pessoas. Os corpos serão ressuscitados da morte, não importa quanto tempo já tem morrido, nem o lugar do seu enterro ou a condição dos restos. Jesus nos dá a descrição: "Não fiquem admirados por causa disso, pois está chegando a hora em que todos os mortos ouvirão a voz dele e sairão dos túmulos" (João 5:28,29). A palavra "todos" não exclui ninguém. Paulo, ao falar diante de Félix em Cesaréa, testifica também "que todos vão ressuscitar, tanto os bons como os maus" (Atos 24: 15). Tanto os corpos dos que creem como os dos incrédulos se levantarão. Isto será efetuadopor Deus, "para quem tudo é possível".
                    O juízo final
          Na segunda vinda, Jesus sentará sobre seu trono de glória e julgará todos os homens. Jesus disse que "todos os povos da terra se reunirão diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos" (Mateus 25:32). Paulo também menciona que Jesus Cristo é quem "julgará todos os seres humanos, tanto os que estiverem vivos como os que estiverem mortos" (2 Timóteo 4: 1).
          No dia do juízo final Jesus dividirá todos as pessoas, as vivas e as que serão ressuscitadas, em dois grupos. Quanto à base do juízo de todos os homens, Jesus disse: "Quem me rejeita e não aceita a minha mensagem já tem quem vai julgá-lo. As palavras que eu tenho dito serão o seu juiz no último dia" (João 12:48). O incrédulo, o que rejeitou a Jesus e ao seu Evangelho, será condenado. Sua falta de cumprir as obras que agradam a Deus será a evidência de sua increduli-dade (Mateus 2 :41-45).
                    O inferno
          Aos incrédulos, Jesus dirá: "Afastem-se de mim, vocês que estão debaixo da maldição de Deus! Vão para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos!(Mateus 25:41). Esta é a condenação ao inferno. Então, o inferno é um lugar de desespero, no qual o homem está separado de Deus - a única fonte de esperança e vida. O inferno é o lugar de sofrimento indescritível onde os homens serão "jogados fora, na escuridão. Ali vão chorar e ranger os dentes" (Mateus 8: 12). O inferno é eterno, quer dizer, contínuo e sem fim. Jesus disse que os que estiverem à sua esquerda "irão para o castigo eterno" (Mateus 25:46). O dia do juízo final será um dia de medo para os incrédulos, como explica o livro do Apocalipse: "Pois já chegou o grande dia de ira deles, e quem poderá suportá-la" (Apocalipse 6: 17).
                    O céu
          Os que creem em Jesus serão salvos. Estarão à direita de Deus. Jesus se referirá às boas obras do cristão como a evidência da fé (Mateus 25:34-40). Eles ouvirão as palavras: "Venham, vocês que são abençoados pelo meu Pai! Venham e recebam o Reino que desde a criação do mundo, foi preparado pelo meu Pai" (Mateus 25:34). Este é o céu, estar com o Senhor na presença dele que é a fonte da esperança, de alegria, de paz e da vida. Esta é a nova Jerusalém da qual as Escrituras falam: "Agora a morada de Deus está entre os seres humanos! Deus vai morar com eles, eles serão o seu povo. O próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos olhos deles todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. As coisas velhas já passaram" (Apocalipse 21:3-4). Tudo o que causou dor, sofrimento, tristeza e desespero, não será mais lembrado. Aquele que está sentado no trono dirá: "Agora
faço nova todas as coisas" (Apocalipse 21:5). O corpo do cristão ressuscitado será glorificado por Jesus, e tornará "como o seu próprio corpo glorioso." (Filipenses 3:21). O céu é eterno. Jesusdisse: "Os bons irão para a vida eterna" (Mateus 25:46).
          Então, para o cristão o dia do juízo final não será um dia terrível, nem de medo, mas sim um dia de muito gozo. Então Jesus "aparecerá pela segunda vez, não para tirar os pecados, “mas para salvar os que estão esperando por ele" (Hebreus 9:28). Jesus disse aos fiéis: "Quando essas coisas começarem a acontecer, fiquem firmes e levantem a cabeça, pois logo vocês serão. salvos" (Lucas 21 :28).
                    O fim do mundo
          Nas Escrituras o dia da vinda de Jesus, ou seja, o dia do juízo final também se chama "o fim dos tempos "(Mateus 13:39). Este mundo presente, corrompido pelo pecado, se acabará. Pedro se refere a esse dia: "os céus vão desaparecer com um barulho espantoso, e tudo o que há no universo será queimado. A terra e tudo o que ela tem vão sumir" (2 Pedro 3: 10). No lugar do mundo presente as Escrituras nos prometem "um novo céu e uma nova terra, onde mora a justiça" (2 Pedro 3:13).
                    Quando?
          O homem gostaria de saber quando tudo isso acontecerá. Alguns dizem que sabem. Um tal de William Miller disse uma vez que Jesus viria no ano de 1.843. Ele tentou comprovar seus cálculos nas Escrituras. Mas qualquer esforço para adivinhar o fim do mundo é contra as Escrituras, porque Jesus disse:  "Quanto ao dia e a hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai" (Marcos 13:32).
          Vendo que muitos séculos têm transcorrido e Jesus ainda não tem voltado, alguns acreditam que isso nunca acontecerá. Pedro previu isto e escreveu por inspiração: "Primeiro vocês precisam saber que nos últimos dias vão aparecer homens dominados pelas suas próprias paixões. Eles vão zombar de vocês, dizendo: 'Ele prometeu vir, não foi? Onde está ele? Os nossos pais morreram e tudo continua do mesmo jeito que era desde a criação do mundo'''(2 Pedro 3:3-4). Logo Pedro assegura: "O senhor não demora a fazer o que prometeu, como alguns pensam" (2 Pedro 3:9). A promessa da Segunda vinda de Jesus se cumprirá. Mas a hora que acontecerá não se pode saber, porque "o Dia do Senhor chegará como um ladrão" (2 Pedro 3: 10). As Escrituras não revelam quando Jesus voltará, mas não deixam dúvida de que sem falta voltará.
                    Fiquem atentos e preparem-se
          Ainda que Jesus não tenha revelado o dia de sua vinda, nos tem dado sinais. Alguns sinais são os seguintes: "Uma nação vai guerrear contra a outra, e um país atacará outro. Em vários lugares haverá tremores de terra e fome" (Mateus 24:7). "Nessa época muitos vão abandonar a fé, vão trair e odiar uns aos outros. Então muitos falsos profetas aparecerão e enganarão muita gente. A maldade vai se espalhar de tal maneira, que o amor de muitos se esfriará" (Mateus 24:10-12). "E a Boa-Notícia sobre o Reino será anunciada no mundo inteiro como testemunho para toda a humanidade, e então virá o fim" (Mateus 24: 14).
          Estas cenas têm um propósito. O Senhor pede aos cristãos que fiquem atentos e anotem as cenas. Estas especialmente devem motivá-los a estar sempre despertos. Pedro, escrevendo sobre o dia em que o mundo será destruído, exorta os seus leitores: "As suas vidas devem ser agradáveis a Deus e dedicadas a ele. Esperem a vinda do Dia de Deus e façam o possível para que venha logo mesmo" (2 Pedro 3:11,12). Os cristãos sempre estarão prontos para o fim do mundo pela fé em Cristo e por uma vida que evidencia esta fé. Escutarão e aguardarão as palavras do Senhor: "Fiquem vigiando, pois vocês não sabem em que dia vai chegar o seu Senhor" (Mateus 24:42).
































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